Esgotamento silencioso: 4 dicas de como identificar sinais de burnout e reequilibrar prioridades na vida do empreendedor

 O empresário, investidor e estrategista Fernando Campanholo aponta caminhos práticos que ajudam a preservar o empresário no papel estratégico, recuperar o equilíbrio e sustentar o sucesso no longo prazo



A rotina intensa e a pressão por resultados têm cobrado um preço alto da saúde mental dos empreendedores brasileiros. Pensar estrategicamente, observar o mercado e refletir sobre a empresa fazem parte do papel de quem lidera. O esgotamento surge quando imprevistos, exceções e decisões operacionais continuam recaindo sistematicamente sobre o empresário, evidenciando estruturas pouco maduras para funcionar sem o dono.  No Brasil, 94,1% dos empreendedores de alto impacto afirmam ter vivenciado ao menos uma condição adversa de saúde mental ao longo da jornada. A ansiedade lidera o ranking, atingindo 85%, seguida por burnout (37%), ataque de pânico (22%) e depressão (21%), segundo estudo inédito da Endeavor.

Os números acendem um alerta para um problema que muitas vezes se manifesta de forma silenciosa: o esgotamento emocional e físico como consequência direta de modelos de gestão frágeis, processos pouco claros e negócios excessivamente dependentes do próprio fundador para funcionar. Falta de energia constante, irritabilidade, dificuldade de concentração, queda de produtividade, insônia e sensação de que “nunca é suficiente” estão entre os sinais mais comuns de que algo está fora de equilíbrio. Para o empresário, investidor e estrategista Fernando Campanholo, especialista em transformar empresas comuns em negócios lucrativos e independentes pela Viva Positivamente, reconhecer esses sinais é o primeiro passo para evitar consequências mais graves, tanto para a saúde quanto para o próprio negócio.

Segundo Campanholo, o equívoco não está na dedicação, mas na forma como esse esforço é aplicado. Confundir comprometimento com estar ocupado o tempo todo, assumir tarefas operacionais que deveriam estar nas mãos da equipe, microgerenciar processos ou insistir em atividades pouco produtivas gera desgaste, mas não crescimento. Na prática, o esforço mal direcionado tende a resultar em decisões piores, relações desgastadas e empresas excessivamente dependentes do fundador. “Quando o empreendedor coloca energia no lugar errado e não cuida de si, acaba construindo um negócio frágil.  Quando a empresa depende do empresário para tudo, o custo não é só emocional, mas também estratégico”, afirma.

A partir disso, Campanholo aponta 4 ações práticas que ajudam o empresário a reduzir o esgotamento sem perder performance — pelo contrário, ganhando clareza e controle:

  1. Troque microgerenciamento por indicadores claros

O primeiro passo é identificar o que pode — e deve — ser acompanhado por indicadores, não por presença constante. “Se você precisa olhar tudo para ter segurança, o problema não é a equipe, é a falta de critérios claros de acompanhamento”, explica. Quando o empresário define indicadores certos, passa a controlar o negócio pelos números, e não pela ansiedade.

  1. Identifique tarefas que você centraliza por medo ou ego

Segundo Campanholo, boa parte do desgaste vem de atividades operacionais que consomem o dia do empresário, mas poderiam ser executadas por qualquer pessoa treinada. “Muitas vezes o dono mantém essas tarefas por medo de perder o controle ou por acreditar que ninguém faz tão bem quanto ele.” O caminho é identificar essas atividades, treinar alguém para assumi-las e acompanhar o resultado com método, não com interferência constante.

  1. Delegue decisões pequenas com critério e acompanhe à distância

Outra fonte silenciosa de esgotamento são pequenas decisões do dia a dia que ainda dependem do “ok” do empresário. “Quando tudo precisa da sua validação, sua mente nunca descansa”, afirma. Avaliar quais decisões podem ser delegadas com critérios claros e acompanhadas por indicadores gera uma sensação real de alívio mental, porque o empresário passa a perceber que as coisas andam sem ele.

  1. Crie um compromisso diário com o estratégico

Por fim, Campanholo recomenda reservar tempo intencional para pensar no negócio, e não apenas trabalhar nele. “O empresário precisa, no mínimo, uma hora por dia dedicada ao estratégico: melhorar processos, desenvolver líderes e elevar o nível de jogo da empresa.” Se uma hora não for possível, meia hora já é suficiente para sair do modo sobrevivência e retomar o controle do crescimento.


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