Fed cauteloso, emergentes pressionados: Brasil enfrenta juros globais altos e crédito mais seletivo

 "A postura cautelosa do Fed tende a limitar a velocidade de queda da Selic, mas não impede cortes graduais se o cenário local justificar", Gustavo Assis, CEO da Asset Bank

“Na prática, juros altos nos EUA pressionam o Brasil ao encarecer o custo global do dinheiro. A postura cautelosa do Fed tende a limitar a velocidade de queda da Selic, mas não impede cortes graduais se o cenário local justificar. Para o crédito privado, o impacto é direto: juros globais elevados encarecem captações e aumentam a seletividade. Nesse contexto, estruturas como FIDCs ganham relevância por oferecerem crédito com risco ajustado e maior controle de garantias”, Gustavo Assis, CEO da Asset Bank


“Para o ecossistema de inovação, a sinalização do Fed é clara: capital seguirá caro por mais tempo. Isso pressiona o Brasil, influencia o ritmo de queda da Selic e mantém o custo de funding elevado. Mesmo que o BC brasileiro possa cortar juros de forma independente, o ambiente externo reduz o espaço para estímulos fortes. Com juros globais altos, crédito privado fica mais seletivo e o venture capital prioriza startups com eficiência, caixa e modelos mais resilientes”, Antonio Patrus, diretor da Bossa Invest


"Juros elevados por mais tempo nos Estados Unidos impõem disciplina adicional às economias globais, mas não anulam a capacidade do Brasil de conduzir sua própria política monetária. O Banco Central pode, sim, iniciar um ciclo de queda da Selic mesmo com o Fed em pausa, desde que a inflação siga sob controle e o diferencial de juros continue atrativo. O efeito mais visível desse ambiente é o encarecimento do crédito privado, o que reforça a importância de estruturas financeiras bem desenhadas, com foco em previsibilidade de caixa e ativos reais. Em ciclos assim, o capital não desaparece, ele se reorganiza em busca de segurança, retorno consistente e boa execução", Pedro Ros, CEO da Referência Capital


“Juros altos por mais tempo nos Estados Unidos pressionam, sim, o Brasil. Um Fed mais cauteloso fortalece o dólar e torna o ambiente global mais seletivo para capital, o que exige mais cuidado do Banco Central brasileiro. Isso acaba limitando o ritmo de queda da Selic, embora não impeça cortes graduais, desde que a inflação siga sob controle. Nesse cenário, o crédito privado tende a ficar mais caro e seletivo. O investidor exige mais prêmio e as empresas precisam mostrar qualidade, previsibilidade de caixa e boa governança para acessar capital em um ambiente global ainda restritivo”, André Matos, CEO da MA7 Negócios.


“O Fed está adotando uma postura de cautela antes de novos cortes, porque a inflação americana ainda não está claramente no alvo e o mercado de trabalho segue forte. Isso naturalmente funciona como uma âncora para os mercados emergentes. Juros altos nos EUA elevam o custo de capital global e podem limitar o ritmo de queda da Selic no Brasil, mesmo que nosso BC queira começar a reduzir juros. Apesar disso, o Copom pode cortar se a inflação doméstica permitir. E juros globais elevados encarecem o crédito no Brasil, já que o custo de captação internacional impacta diretamente o custo do crédito nacional”, Sidney Lima, Analista da Ouro Preto Investimentos.


“Os juros elevados nos EUA por um período prolongado podem criar um cenário de juros globais altos, o que poderia dificultar o financiamento e pressionar o crédito privado no Brasil. A postura mais cautelosa do Federal Reserve tende a restringir a velocidade com que o Banco Central brasileiro pode reduzir a Selic, uma vez que precisa equilibrar a inflação interna com a dinâmica externa. Embora o BC possa iniciar cortes nos juros locais, isso dependerá das condições da inflação interna, o que provavelmente será feito de forma gradual e cautelosa. O custo de captação mais alto, impulsionado pelos juros globais, pode elevar os spreads no crédito privado, tornando o financiamento mais caro tanto para empresas quanto para consumidores brasileiros. Essa situação pode trazer desafios para o crescimento econômico do país, já que a alta no custo do crédito tende a afetar negativamente o consumo e os investimentos”, Peterson Rizzo, Gerente de R.I da Multiplike.


“Quando o Federal Reserve sinaliza juros altos por mais tempo, o Brasil sente pelo canal clássico de câmbio e fluxo de capital. Essa postura limita, sim, o ritmo de queda da Selic, porque reduz o espaço para cortes mais agressivos sem pressionar o real. Ainda assim, o Banco Central brasileiro pode cortar juros mesmo com o Fed parado, desde que a inflação doméstica permita. Para o investidor, o cenário reforça a importância de diversificação e ETFs como instrumentos de longo prazo em ambientes de juros globais elevados”, Fábio Murad, economista e CEO da Super-ETF Educação


"A sinalização do Fed de manter juros elevados por mais tempo cria um ambiente global mais seletivo para capital e isso, inevitavelmente, pressiona economias emergentes como o Brasil. Ainda assim, o Banco Central brasileiro não está totalmente refém de Washington. Com inflação doméstica em desaceleração e atividade perdendo fôlego, há espaço técnico para cortes graduais da Selic, mesmo com o Fed parado, desde que o diferencial de juros siga competitivo. Para startups e empresas em crescimento, juros globais altos encarecem o capital e exigem foco maior em eficiência, caixa e modelos de negócio capazes de sobreviver sem dependência constante de funding externo", João Kepler, CEO da Equity Group

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