Crédito estruturado e eficiência tributária: o papel dos FIDCs na gestão financeira das empresas

 Os Fundos de Investimento em Direitos Creditórios (FIDCs) vêm consolidando sua posição como instrumentos relevantes não apenas para o financiamento da economia real, mas também como ferramentas de organização financeira e gestão estratégica de capital dentro dos limites da legislação vigente.

Pedro Reis, diretor de crédito da Quartzo Capital.
Quartzo Capital.

Os Fundos de Investimento em Direitos Creditórios (FIDCs) vêm consolidando sua posição como instrumentos relevantes não apenas para o financiamento da economia real, mas também como ferramentas de organização financeira e gestão estratégica de capital dentro dos limites da legislação vigente.

Parte desse movimento decorre do regime tributário aplicável às cotas do fundo. Desde a atualização promovida pela Lei nº 14.754/2023, os FIDCs — abertos ou fechados — passaram a ter incidência de Imposto de Renda exclusivamente no evento de liquidez (resgate, amortização ou alienação de cotas), à alíquota de 15% sobre o rendimento, eliminando o mecanismo de antecipação tributária conhecido como “come-cotas”. Esse modelo confere maior previsibilidade ao investidor e racionalidade ao planejamento financeiro.

Em determinadas estruturas, especialmente quando há integração com a estratégia financeira de grupos empresariais, o fundo pode contribuir para a organização e racionalização da alocação de capital, conforme sua política de investimento e estrutura regulatória. Trata-se de um uso legítimo do instrumento no arcabouço regulatório estabelecido pela CVM (Comissão de Valores Mobiliários) e das melhores práticas de mercado.

Do ponto de vista operacional, a eficiência decorre da própria estrutura jurídica do FIDC. Quando a empresa realiza cessão de recebíveis ou contrata financiamento junto ao fundo, o custo financeiro incorrido pode ser tratado como despesa dedutível para fins de IRPJ (Imposto de Renda Pessoa Jurídica) e CSLL (Contribuição Social sobre o Lucro Líquido), conforme as regras do lucro real e a observância de condições de mercado. Ao mesmo tempo, o investidor, conforme o regime tributário aplicável, é tributado apenas no evento de liquidez da cota, à alíquota de 15% sobre o rendimento, conforme a legislação vigente. Em determinadas estruturas, a combinação entre dedutibilidade na empresa e diferimento da tributação no fundo pode representar o que o mercado convencionou chamar de efeito de “tax shield”, desde que haja substância econômica, risco efetivo e governança adequada.

É fundamental ressaltar que a racionalidade econômica da operação deve prevalecer sobre qualquer motivação exclusivamente fiscal. Estruturas dessa natureza exigem formalização adequada, gestão independente, precificação a valor de mercado e total aderência às normas da CVM e às diretrizes da ANBIMA (Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais). A eficiência tributária é consequência de uma modelagem correta, e não seu fundamento isolado.

O avanço da sofisticação empresarial e a maior compreensão sobre instrumentos de crédito estruturado ampliam o interesse por modelos que conciliem financiamento, governança e eficiência fiscal de forma responsável e transparente. Nesse contexto, o FIDC deixa de ser apenas um veículo de crédito e integra a estratégia de capital das companhias, sempre dentro dos limites legais e regulatórios.

 

Sobre a Quartzo Capital

A Quartzo Capital é a principal gestora multiestratégia do Sul do Brasil, posicionando-se como um hub completo de soluções financeiras. Resultado da fusão de empresas especializadas, a Quartzo oferece ao mercado um modelo de one stop shop que integra Venture Capital, Asset Management, Corporate Finance, Crédito Estruturado e Real Estate.

Com mais de R$ 1,4 bilhão em ativos sob gestão, R$ 1,3 bilhão em VGV em Real Estate, R$ 16 bilhões em laudos de avaliação e mais de 50 operações de M&A e Venture Capital, a Quartzo atua lado a lado com seus clientes, fomentando ecossistemas de inovação e diversificação financeira pelo país. 

A Quartzo é também a maior gestora de Venture Capital fora do eixo Rio–SP, com mais de R$ 700 milhões sob gestão, mais de 60 investimentos realizados e participação ativa na construção de empresas de alto crescimento. 

Com escritórios em Curitiba, São Paulo, Florianópolis e Vitória, a Quartzo Capital consolida a marca como uma gestora moderna, técnica e orientada por resultados que transformam a complexidade financeira em soluções eficientes e executáveis.

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