Estudo da Yalo aponta que, apesar do avanço da automação nas interações digitais, a maioria das empresas ainda não transforma inteligência artificial em decisões com impacto real nos negócios
A conversa sobre inteligência artificial cresceu de forma exponencial nos últimos dois anos. No entanto, por trás do entusiasmo, existe uma realidade menos debatida. Um estudo interno realizado pela Yalo aponta que, embora mais de 70% das interações digitais com clientes já envolvam algum nível de automação, menos de 15% geram impacto direto em receita, eficiência operacional ou decisões relevantes de negócio. “A razão é simples e estrutural: automatizar não é o mesmo que decidir”, afirma Andres Stella, COO da Yalo.
Durante anos, o especialista explica que o foco das empresas esteve em acelerar tarefas, reduzir fricção e escalar operações. Primeiro com regras, depois com bots, e em seguida com IA aplicada a processos isolados. Essa evolução foi necessária, mas expôs um limite claro. As empresas executam mais rápido do que nunca, porém continuam tomando decisões críticas de forma tardia, fragmentada e dependente de interpretação humana sob pressão.
Agora a questão já não é se a IA deve ser utilizada, mas onde ela precisa estar para melhorar a qualidade das decisões. Negócios reais operam em ambientes imprevisíveis, com clientes que mudam de ideia, misturam assuntos, retornam dias depois e esperam continuidade. As decisões não dependem apenas da pergunta feita, mas do histórico, do momento, do canal e do objetivo da interação. Nesse contexto, sistemas engessados, baseados em fluxos fixos e respostas pré-definidas, deixam de escalar. Não por falha técnica, mas porque foram concebidos para um mundo onde responder corretamente era suficiente.
O verdadeiro salto da IA não veio de uma única inovação, mas da convergência de avanços concretos: modelos mais capazes, melhor compreensão de contexto e a capacidade de manter memória, objetivos e estados ao longo do tempo. “A IA deixou de ser puramente reativa e passou a operar de forma mais autônoma. Já não se limita a responder perguntas isoladas. Consegue interpretar conversas completas, reconhecer padrões, conectar sinais de múltiplas fontes e tomar decisões com base em intenção, não apenas em palavras-chave”, diz Stella.
É nesse ponto que surgem os AI Agents. Um AI Agent não opera a partir de scripts, mas de objetivos. Ele compreende o contexto da conversa, considera interações anteriores, mantém um objetivo de negócio claro e decide qual é o próximo passo mais adequado. Além disso, executa ações reais dentro dos sistemas da empresa e aprende com o resultado de cada interação. A IA deixa de ser apenas uma interface e passa a ser um sistema de decisão em produção.
“Essa mudança é relevante porque as decisões mais impactantes nos negócios não acontecem em comitês nem em dashboards. Elas ocorrem diariamente, milhões de vezes, na linha de frente da operação. Decidir o que dizer a um cliente específico, o que oferecer naquele momento, quando insistir, quando esperar, quando escalar. São decisões que parecem pequenas em aparência, mas são gigantes em impacto quando repetidas em escala. Esse tipo de decisão vive em conversas, sinais fracos, e em contexto acumulado. Não funciona com regras fixas. Exige critério”, afirma o executivo.
Olhar para 2026 não é fazer previsões. É dar nome a uma mudança já em curso. As organizações que compreenderem a Agentic Era projetarão estruturas capazes de decidir melhor, mais rápido e com consistência. As que não compreenderem continuarão cercadas de automação, executando tarefas em escala, mas presas ao mesmo gargalo decisório: regras fixas, falta de contexto e dependência constante de intervenção humana. Essa transição exige clareza, porque o que está em jogo não é adicionar mais IA, mas superar o modelo em que a tecnologia executa, mas não decide.

