Especialista Rafaela de la Lastra lista medidas práticas para evitar conflitos e melhorar o atendimento
O bom relacionamento entre profissionais da beleza é um dos fatores que mais impactam o funcionamento de um salão. A rotina envolve controle de agenda, prazos curtos e atendimento direto ao público cada vez mais exigente. Para a especialista em gestão de equipes do setor de beleza, Rafaela de la Lastra, a organização interna influencia diretamente a experiência do cliente e os resultados do negócio.
A primeira medida, segundo ela, é estabelecer estratégias claras. Cada profissional precisa saber exatamente suas responsabilidades, como atendimento, padrões de qualidade e organização do espaço. A falta de definição costuma gerar disputa internas e desorganização das tarefas, criando desgaste entre colegas de profissão.
A comunicação também deve ser objetiva e frequente. Rafaela orienta reuniões rápidas semanais para alinhar agenda, procedimentos e mudanças do salão. O encontro reduz ruídos de informação e evita interpretações equivocadas entre a equipe.
Nos salões comissionados, um ponto sensível é a remuneração. Como o pagamento depende diretamente da produção, o dinheiro passa a ser um dos principais motivos de atrito. Disputa por clientes, encaixes de última hora e prioridade de horários costumam acontecer porque cada atendimento impacta no ganho do profissional e do dono do espaço.
A especialista explica que, nesse modelo tradicional, quanto mais o profissional trabalha, mais ele também paga taxas ao salão, seja em percentual de serviço, uso de estrutura ou materiais. Sem regras claras ou transparência, a sensação de injustiça aparece rapidamente. Por isso, critérios de comissão, repasse e cobrança por produtividade atualmente são as maiores fontes de conflitos do setor.
Segundo Rafaela de la Lastra, esse cenário tem levado a uma mudança estrutural na área da beleza. Ela observa um movimento crescente de migração que se acentuou exponencialmente em 2025, com salões deixando o modelo comissionado para adotar o que chama de locação integrativa. Diferente do coworking tradicional, o formato trabalha com contratos por prazo indeterminado, acordos de padronização de conduta, procedimentos, preços e qualidade, com foco total na experiência do cliente.
A alternativa é muito impactante, explica, pois reduz imediatamente conflitos financeiros e elimina custos operacionais e administrativos, permitindo que donos e profissionais tenham maior previsibilidade de ganhos. Nesse modelo, os profissionais atuam de forma realmente autônoma, enquanto o proprietário passa a concentrar esforços na estrutura física e digital do espaço, sem controlar a produtividade individual.
“Hoje mais do que nunca, donos e profissionais querem separar responsabilidades. O profissional cuida do atendimento e da própria agenda, e o salão garante ambiente, padrão e experiência. Quando cada um entende seu papel, o resultado aparece no faturamento e na satisfação da cliente”, afirma.
