Escassez de mão de obra leva empresários a investir em treinamento padronização de processos e desenvolvimento de equipes para reduzir a rotatividade
O setor de alimentação fora do lar no Brasil reúne cerca de 1,3 milhão de bares e restaurantes e emprega aproximadamente 6 milhões de pessoas, segundo a Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel). Ainda assim, a dificuldade para encontrar profissionais qualificados se tornou um dos principais entraves para o crescimento do segmento.
Diante da escassez de mão de obra pronta, empresários passaram a investir na formação interna como estratégia para manter a operação, reduzir a rotatividade e melhorar o padrão de atendimento.
Marcelo Marani, professor e fundador da Donos de Restaurantes, escola que já treinou mais de 25 mil empresários do setor, afirma que o mercado vive uma mudança na forma de contratar. “Durante muito tempo o empresário acreditou que encontraria no mercado alguém pronto para trabalhar. Hoje isso é cada vez mais raro. Os restaurantes que crescem são justamente os que decidiram formar seus próprios profissionais dentro da operação”, explica.
A estratégia envolve rotinas de treinamento, padronização de processos e desenvolvimento de lideranças internas. Quando bem estruturada, a prática reduz erros operacionais, melhora a experiência do cliente e diminui custos ligados à rotatividade. “Treinamento deixou de ser visto como gasto e passou a integrar a gestão do restaurante. Quando o empresário organiza processos e capacita a equipe, ele reduz retrabalho, melhora o atendimento e torna a operação mais previsível”, afirma.
Além do impacto operacional, a formação interna também aumenta o engajamento das equipes. Funcionários que percebem oportunidade de aprendizado e crescimento tendem a permanecer mais tempo no negócio, ajudando a construir times mais estáveis. “Grande parte das pessoas entra no restaurante sem experiência. O papel do empresário é transformar esse colaborador em um profissional preparado para a operação. Quando o negócio assume esse papel formador, ele deixa de depender tanto do mercado para contratar”, diz.
Ainda assim, especialistas alertam que o treinamento precisa ser estruturado para gerar resultados. Programas improvisados ou sem metodologia podem gerar confusão na operação. Para empresários que desejam iniciar esse processo, algumas medidas ajudam a organizar a formação dentro do restaurante.
O especialista aponta cinco cuidados para estruturar a formação interna das equipes no restaurante
Para que a capacitação realmente gere impacto na operação, o treinamento precisa estar conectado à rotina do restaurante e às necessidades do negócio. A seguir, cinco cuidados que ajudam empresários a implantar essa estratégia de forma eficiente.
Definir processos claros de operação
O primeiro passo é registrar como cada atividade deve ser executada dentro do restaurante, desde o atendimento até os procedimentos da cozinha. Sem padrão definido, cada funcionário aprende de uma forma diferente, o que compromete a consistência do serviço.
Desenvolver líderes dentro da equipe
Gerentes, chefs e supervisores podem atuar como multiplicadores de conhecimento. Essa estratégia reduz custos com treinamentos externos e fortalece a liderança interna, além de aproximar o aprendizado da realidade da operação.
Criar treinamentos curtos e frequentes
Capacitações rápidas, realizadas dentro da rotina do restaurante, costumam gerar melhores resultados do que treinamentos longos e pontuais. Pequenos ajustes frequentes ajudam a corrigir falhas e reforçar padrões.
Acompanhar indicadores da operação
Treinar a equipe sem acompanhar resultados pode gerar desperdício de tempo e recursos. Indicadores como tempo de atendimento, taxa de erros e satisfação dos clientes ajudam a medir se o treinamento está funcionando.
Escolher consultorias especializadas quando necessário
Empresas que atuam na formação de equipes para restaurantes podem acelerar o processo de profissionalização. O cuidado está em escolher consultorias que conheçam a dinâmica do foodservice. “O restaurante tem uma operação muito específica. Quem vai treinar sua equipe precisa entender cozinha, atendimento e gestão de pessoas”, orienta Marani.
Para o especialista, a formação interna tende a se tornar um dos pilares da gestão no setor. Negócios que estruturam processos de treinamento conseguem construir equipes mais preparadas e reduzir a dependência de profissionais experientes no mercado.
“A maior vantagem de formar profissionais dentro do restaurante é criar uma cultura própria de trabalho. Quando a equipe entende o padrão da casa e cresce junto com o negócio, o restaurante ganha consistência e competitividade”, conclui.
Sobre Marcelo Marani
Marcelo Marani é fundador e CEO da Donos de Restaurantes, uma das principais escolas para donos de restaurantes da América Latina. Professor formado em Ciência da Computação, com mestrado em Administração de Empresas, defendeu em 2007 uma tese que mostrava que 70% dos donos de restaurantes não trabalham com qualquer tipo de fidelização.
Empresário, sócio de mais de 10 empresas do foodservice, com um faturamento de R$30MM em 2024, tem mais 25 anos de experiência no mercado de alimentação e é considerado um dos maiores especialistas em gestão e aumento de faturamento para restaurantes do Brasil.
Marani é também apresentador de TV, no programa Café com Chef da Band todo domingo de manhã, é host do podcast mais escutado no Brasil para donos de restaurantes e também autor do livro Transforme o seu Restaurante em um Negócio Milionário, da editora Gente.
Marani já treinou mais de 25 mil empresários, em 19 capitais do Brasil, e já fez trabalhos em Portugal e na Argentina. Para mais informações, visite o Instagram ou pelo site.