Evento reuniu especialistas do mercado de crédito e cobrança para debater como personalização, modelos preditivos, IA, dados alternativos e estratégias data-driven são pilares fundamentais para a eficiência na jornada de crédito e recuperação

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Roque Pellizzaro Júnior, Presidente do SPC Brasil, na abertura do SPC Summit 2026
O SPC Brasil reuniu mais de 500 especialistas de diferentes segmentos do mercado no SPC Summit 2026, na Casa Petra, em São Paulo, para discutir os caminhos do mercado de crédito e recuperação em um cenário de alta inadimplência, juros elevados e transformação digital acelerada.
Com o tema “Transformando riscos em oportunidades na jornada de crédito e recuperação”, o evento reforçou o papel estratégico da inteligência artificial, dos dados e da personalização como base para decisões mais assertivas e crescimento sustentável dos negócios.
“Muita empresa ainda não dá o valor necessário aos dados ou os mantém desorganizados. Estruturar isso é extremamente relevante para gerar valor real”, afirmou Roque Pellizzaro Jr., presidente do SPC Brasil.
Cenário econômico pressiona empresas em 2026
Na abertura do evento, o economista Pablo Spyer, sócio da XP Inc. e CEO da Vai Tourinho S.A, trouxe um panorama desafiador para o ano, marcado por instabilidade global, juros elevados e pressões inflacionárias.
Para ele, fatores como tensões geopolíticas, volatilidade no preço de commodities e incertezas sobre a política monetária internacional devem continuar impactando diretamente o ritmo de crescimento das economias.
“O principal risco hoje é a combinação de juros altos com pressões inflacionárias globais, que pode limitar o crescimento econômico”, afirmou o especialista.
O cenário atual exige maior assertividade na concessão de crédito, especialmente diante do elevado nível de endividamento das famílias brasileiras.
Crédito deixa de ser operação e vira estratégia de negócio
Ao longo dos painéis, especialistas destacaram a evolução do crédito como uma alavanca de crescimento para empresas por impactar na geração de receita, fidelização e experiência do cliente.
“Crédito não é só concessão. É relacionamento”, destacou Francimari Oliveira (Ceape) durante painel Crédito: a ferramenta de aumento de relacionamento e resultados para o seu negócio, que também contou com a presença de Uilson Fernando Zamboni (Lojas Koerich e KAB) e Estefânia Nascimento (Armazém Paraíba).
Essa visão foi reforçada por Estefânia, que afirmou que o crédito está diretamente ligado à confiança e à fidelização, especialmente em modelos como o crediário, que sustentam relações duradouras com o consumidor.
Na prática, o crédito pode acompanhar o cliente desde a entrada na base até a gestão ativa da carteira, com ações contínuas ao longo da jornada, como ampliação de limites, estímulo ao consumo, prevenção de inadimplência ou reativação.
Modelos preditivos e dados ampliam a inteligência na tomada de decisão
A transformação do setor se aprofunda com o avanço dos modelos preditivos, da inteligência artificial e do uso de dados alternativos, tema de painel que reuniu Luiz Alberto Francischini (Berlanda), Vilásio França Pereira Júnior (Jeitto) e Paulo Cirino (BTG Empresas).
A gestão de crédito deixa de se basear apenas em análises pontuais e passa a considerar o comportamento do consumidor ao longo da jornada, com decisões que evoluem continuamente a partir de novas interações e dados.
O debate também evidenciou que o desafio atual não está mais na falta de informação, mas na capacidade de organizar, selecionar e transformar dados em decisões estratégicas.
Nesse contexto, ganham relevância os dados alternativos, que ampliam a leitura de risco ao incorporar variáveis como comportamento de consumo, interação digital, localização e fatores econômicos regionais.
Apesar da evolução dos modelos analíticos, os especialistas reforçaram que o fator humano ainda desempenha um papel relevante, especialmente em contextos onde o relacionamento próximo com o cliente influencia a decisão.
Personalização transforma a cobrança e reduz atritos na jornada
A personalização também ganhou destaque no painel Cobrança na era da personalização: como estratégias sob medida aumentam a recuperação, que reuniu Erlandson Soares Batista (Nova Era), Paulo Henrique Leite Saraiva (Crisdu) e Fernando de Ornelas Grillo (Grupo Muffato e Zonta).
“O principal erro da cobrança tradicional é tratar clientes diferentes da mesma forma. Hoje, entender o comportamento do cliente é muito mais relevante do que olhar apenas para a dívida.”, afirmou Grillo.
A evolução das estratégias de cobrança reflete uma mudança de abordagem: a recuperação não deve considerar apenas o status da dívida, mas analisar o perfil e o momento do consumidor, a partir do uso intensivo de dados e segmentação.
Além de aumentar a eficiência das operações, o movimento contribui para reduzir atritos e fortalecer o relacionamento com o cliente, o que amplia as chances de recuperação ao longo da jornada.
Equilíbrio entre agilidade e risco é principal desafio
Com a digitalização e a demanda por crédito instantâneo, empresas enfrentam o desafio de equilibrar experiência do cliente e segurança operacional.
“A gente começa a olhar a cobrança por eventos, por comportamento e probabilidades, deixando de olhar apenas o perfil da dívida e passando a olhar o perfil do devedor”, afirmou Bruno Lozi (Founder & CEO da Credits), durante painel sobre Crédito Ágil reforçando o desafio das empresas para equilibrar agilidade e risco.
A busca por velocidade, no entanto, traz riscos para a operação. “Quanto mais rápido o crédito, maior o risco. O desafio é encontrar o equilíbrio entre velocidade e segurança”, destacou Pedro Barbosa (Alvo), no mesmo painel, que também contou com a participação de Fabrício Rocha (Banco do Nordeste) e Lúcio Araújo Lustosa Vieira (Flávios Calçados).
O tema foi recorrente ao longo do evento e reflete um dos principais dilemas do setor: como escalar a concessão de crédito com agilidade sem comprometer a qualidade das decisões.
IA redefine o varejo e acelera decisões
Para encerrar o evento, o especialista em varejo Alberto Serrentino destacou que a inteligência artificial está mudando estruturalmente o setor.
“A IA acelera a transformação e muda completamente o patamar e a velocidade das decisões no varejo”, afirmou. Na visão dele, as empresas precisarão equilibrar decisões de curto prazo com estratégias de longo prazo para se manterem competitivas.
Outro ponto de destaque foi a evolução do varejo para modelos de ecossistemas de negócio, nos quais empresas passam a integrar serviços, produtos e parceiros em plataformas mais amplas, centradas no cliente e orientadas por dados. Para ele, essa integração tende a ser um dos principais vetores de geração de valor nos próximos anos.
Apesar do avanço tecnológico, Serrentino também ressaltou o papel contínuo dos canais físicos, que seguem relevantes dentro dessa nova lógica, desde que integrados a estratégias digitais e orientados por dados.

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Alberto Serrentino no SPC Summit 2026
Dados e inteligência como base do futuro do crédito
A mensagem final do evento girou em torno de um consenso: o futuro do crédito será definido pela capacidade das empresas de transformar dados em decisões inteligentes e personalizadas.
“Não existe negócio sem crédito e hoje ele é um aliado direto da força de vendas e do crescimento das empresas”, reforçou Roque Pellizzaro Jr.
Com o avanço da inteligência artificial e da análise de dados, o setor entra em uma nova fase: mais analítica, mais estratégica e cada vez mais centrada no cliente.
Sobre o SPC Brasil
O SPC Brasil é um birô de crédito 100% brasileiro e referência em gestão e inteligência de dados para análise e recuperação de crédito. Com uma estratégia datatech e presente em todo o território nacional, opera um dos maiores volumes de informação do país, com 69 milhões de dados sobre empresas e 263 milhões sobre pessoas físicas, transformando dados em inteligência prática para quem analisa, concede, monitora e recupera crédito. Mais de 1 milhão de clientes confiam hoje nas soluções do SPC Brasil.