Crescimento em 2025 impulsiona regiões fora do eixo tradicional, com destaque para Santa Catarina e cidades do litoral norte no radar de investidores.
O mercado imobiliário brasileiro movimentou R$264,2 bilhões em 2025, superando previsões mesmo em um cenário de juros elevados. O resultado consolida um novo ciclo de crescimento e aponta para a expansão do setor para além dos polos tradicionais. Segundo levantamento da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) em conjunto com o Senior Index, o volume representa uma alta de 3,5% em relação a 2024. O setor também registrou recorde histórico de lançamentos, com 453 mil unidades, além de mais de 426 mil imóveis vendidos ao longo do ano.
Mesmo com a taxa básica de juros próxima de 15%, o desempenho foi sustentado pela demanda reprimida e pela capacidade de adaptação das empresas, que mantiveram o ritmo de vendas e repasse de preços.
Crescimento se espalha pelo país
Além dos números, o principal destaque está na redistribuição do crescimento. Regiões fora do eixo tradicional passaram a ganhar protagonismo, com destaque para o Sul. Santa Catarina liderou esse movimento, com crescimento de 14,4% no Valor Geral de Vendas (VGV) e alta de 8,5% no volume de unidades comercializadas, consolidando-se como um dos mercados mais dinâmicos do país.
Dentro desse cenário, o litoral norte de Santa Catarina se destaca como um dos principais vetores dessa nova fase. Se cidades como Balneário Camboriú e Itapema já operam em níveis consolidados de valorização, municípios vizinhos como Balneário Piçarras e Penha começam a atrair investidores por oferecerem potencial de crescimento aliado à qualidade de vida.
Para Matheus Tafner, sócio da Tauf Empreendimentos, construtora que atua em Penha e Piçarras, o avanço dessas cidades reflete uma mudança estrutural no setor. “O mercado está mais atento a regiões que ainda têm espaço para crescer. Balneário Piçarras e Penha surgem como novas apostas justamente por combinarem valorização consistente, demanda crescente e um estágio de desenvolvimento que ainda permite expansão”, afirma.
Esse movimento também acompanha uma transformação no comportamento do consumidor. A decisão de compra deixou de ser apenas financeira e passou a considerar fatores como qualidade de vida, mobilidade e uso do imóvel. “O investidor hoje busca regiões com potencial de valorização e menor saturação. O litoral norte de Santa Catarina oferece exatamente esse cenário”, explica Leonardo Stollmeier, também sócio da Tauf.
Nesse contexto, a região se beneficia de fatores como acesso facilitado pela BR-101, proximidade com centros como Curitiba e Joinville e um ambiente urbano menos adensado. Entre os principais fatores que explicam o crescimento dessas cidades também estão a valorização do metro quadrado acima da média nacional, disponibilidade de áreas ainda não saturadas, especialmente frente-mar, crescimento urbano mais organizado, forte apelo turístico, com destaque para o Beto Carrero World e demanda por imóveis com uso híbrido (moradia, lazer e investimento).
Para Isabela Tafner Stollmeier, sócia da Tauf, esse movimento está ligado a uma redefinição do conceito de alto padrão. “O imóvel continua importante, mas o entorno e a experiência passaram a ter um peso decisivo. Cidades mais organizadas, com contato com a natureza e ritmo mais equilibrado ganham protagonismo”, afirma.
Perspectivas para 2026
As projeções indicam um cenário mais favorável para o próximo ciclo. A expectativa de redução gradual da taxa de juros e maior disponibilidade de crédito deve sustentar a continuidade do crescimento. A CBIC estima avanço de cerca de 2% no setor em 2026, com tendência de um ciclo mais estável e orientado pela demanda real.
Vale ressaltar que os dados de 2025 reforçam que o mercado imobiliário brasileiro não apenas manteve sua resiliência, como também entrou em uma nova fase, marcada pela diversificação geográfica e pela busca por novos territórios de crescimento. Cidades como Balneário Piçarras e Penha passam a representar esse movimento, indicando que o próximo ciclo do setor deve ser menos concentrado e mais distribuído. Para investidores e empresas, o cenário aponta para uma mudança clara: o crescimento continua, mas agora, em novos endereços.