Rocinha UP transforma kimonos de jiu-jítsu em moda circular e inclusão produtiva

 O projeto será lançado dia 15 de agosto, na Igreja Metodista da Rocinha, com programação cultural e início da campanha de arrecadação de kimonos. 

Divulgação 

Um kimono que já cumpriu seu papel nos tatames pode ganhar uma nova história. É com essa proposta que nasce o Rocinha UP, projeto que transforma kimonos de jiu-jítsu, tatames e resíduos têxteis em produtos de moda sustentável, unindo economia circular, geração de renda e educação ambiental. O lançamento acontece no dia 15 de agosto, sábado, a partir das 11h, na Igreja Metodista da Rocinha, e marca o início de uma campanha de arrecadação de kimonos em academias do Rio de Janeiro.


Selecionado por meio de um edital da Fundação Carlos Chagas Filho de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (Faperj), o projeto foi criado por Paula Maia em parceria com o professor de artes marciais Paulo Cunha, fundador da Academia Lapidar e idealizador do Projeto Lapidar, iniciativa social que atende crianças da Rocinha a partir dos seis anos. A proposta é instalar toda a cadeia de produção na própria comunidade, onde costureiras, modelistas, pilotistas, designers e outros profissionais transformam materiais destinados ao descarte em produtos de maior valor agregado por meio da técnica do upcycling.


O nome do projeto traduz sua essência. A sigla UP faz referência ao lema "Porque é Urgente Preservar", reforçando a necessidade de agir diante da crise ambiental e também ao conceito de upcycling, técnica que reaproveita materiais descartados para criar produtos de maior valor agregado, prolongando sua vida útil e reduzindo impactos ambientais.


Idealizadora do projeto, Paula Maia explica que a iniciativa nasceu da vontade de conectar sustentabilidade, impacto social e valorização dos talentos da Rocinha.


— O Rocinha UP mostra que aquilo que seria descartado pode voltar à sociedade com um novo significado. Mais do que produzir acessórios, o projeto gera oportunidades de trabalho, fortalece a economia criativa e prova que a Rocinha também é capaz de desenvolver soluções inovadoras para os desafios ambientais.


A campanha de arrecadação de kimonos começa oficialmente no dia 15 de agosto. Os primeiros pontos de coleta serão a Escola de Jiu-Jítsu Lapidar e a sede do Rocinha UP, ambas na Rocinha. A expectativa é ampliar a rede de arrecadação para outras academias da cidade.


— Cada kimono doado representa muito mais do que matéria-prima. Ele ajuda a movimentar uma cadeia produtiva dentro da comunidade, gera trabalho, reduz resíduos e fortalece um modelo de desenvolvimento baseado na economia circular — destaca a empreendedora.


 


Durante o evento serão apresentadas as cinco primeiras peças desenvolvidas pelo projeto — mochila, pochete, ecobag, nécessaire e case para notebook —, todas produzidas a partir de kimonos e outros resíduos têxteis. A coleção será ampliada ao longo dos próximos meses com novos modelos, formando uma linha de dez produtos que serão comercializados por meio da plataforma digital do Rocinha UP.


A programação inclui a palestra "O Lixo que Vale Ouro", ministrada pela engenheira florestal Aurora Segall; a oficina Transformação Têxtil, com Rita de Cássia; a exposição dos produtos; uma feira colaborativa de artesãs locais, organizada pela Escoart em parceria com o Ateliê Metodista da Rocinha; e o lançamento da campanha de financiamento coletivo, criada para ampliar as ações da iniciativa.


Com mais de 20 anos de atuação em projetos de sustentabilidade, Aurora Segall é fundadora do Instituto Terra of Tomorrow e desenvolve trabalhos nas áreas de consultoria ambiental, recuperação de áreas degradadas, economia circular, ESG e crédito de carbono. Também é responsável pela plataforma @reciclereutilizeplante, dedicada à divulgação de práticas sustentáveis, e compartilhará com o público reflexões sobre como resíduos podem se transformar em oportunidades econômicas, sociais e ambientais.


Já a oficina Transformação Têxtil será conduzida por Rita de Cássia, costureira, modelista e pilotista. A atividade apresentará técnicas de costura criativa para transformar camisetas de malha em bolsas e outros objetos utilitários por meio do upcycling, demonstrando, de forma prática, como prolongar o ciclo de vida dos materiais têxteis e reduzir o descarte.


A programação será encerrada com um show do rapper Pyetrin, cria da Rocinha e um dos destaques da nova geração do rap da comunidade. Revelado nas batalhas da Roda Cultural da Rocinha, o artista representa a força da produção cultural local e reforça o propósito do Rocinha UP de valorizar talentos do território em diferentes expressões criativas.


Entre as metas do Rocinha UP estão a capacitação de agentes ambientais, a oferta de cursos gratuitos, a realização de ações ambientais em diferentes áreas da Rocinha, o fortalecimento do Projeto Lapidar Jiu-Jítsu Rocinha e a consolidação da comunidade como referência nacional em inovação sustentável. A expectativa é beneficiar diretamente moradores por meio da formação profissional, da geração de renda e da valorização da criatividade produzida no território.


Para Paula Maia, o avanço dessas iniciativas depende da construção de redes colaborativas.


— A sustentabilidade só se fortalece quando caminhamos juntos. Queremos ampliar parcerias com empresas, instituições e pessoas que acreditam nesse propósito, porque é dessa união que surgem soluções reais e transformadoras para o meio ambiente e para a sociedade.


 


Sobre Paula Maia


Designer de formação, com pós-graduação em Gestão de Marketing, Paula Maia atua há mais de sete anos no desenvolvimento de projetos voltados à economia circular, ao consumo consciente e ao empreendedorismo criativo. A ideia que deu origem ao Faz Girar Market nasceu durante sua pós-graduação, quando desenvolveu um projeto sobre consumo colaborativo. Pouco depois, morando na Espanha, conheceu de perto a cultura europeia de separação de resíduos, reciclagem e reutilização de materiais, experiência que inspirou a criação do Faz Girar Market, em 2019.


Desde então, o projeto já promoveu feiras de moda circular em bairros como Botafogo, Humaitá, Ipanema e Tijuca, incentivando o reaproveitamento de roupas, acessórios e objetos e difundindo práticas de consumo mais sustentáveis. Para Paula, mais do que vender ou trocar peças, o objetivo sempre foi estimular uma mudança de comportamento por meio do desapego e da valorização do que já existe. O Rocinha UP representa um novo capítulo dessa trajetória, levando os princípios da economia circular para a transformação de resíduos têxteis em oportunidades de trabalho, geração de renda e impacto social na Rocinha.


 


Serviço


Lançamento do Rocinha UP


Data: 15 de agosto (sábado), às 11h

Local: Igreja Metodista da Rocinha

Endereço: Antigo Caminho dos Boiadeiros, nº 7 – Rocinha – Rio de Janeiro


 


Doação de kimonos


Sede Rocinha Up - Rua José Belmiro de Souza 25 - Rocinha 


Escola Jiu Jitsu Lapidar - Travessa União do Bairro Barcelos 24 - Rocinha 

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