A artista tem obras em instituições como Solomon R. Guggenheim Museum; Museum of Fine Arts Boston; Coleção Gilberto Chateaubriand - MAM-RJ; MASP; Guggenheim Abu Dhabi; National Gallery of Canada; MAM-Bahia e Instituto Inhotim
A Gentil Carioca São Paulo apresenta a individual “∞ ∞ (infinita infinito)”, da artista visual Maria Nepomuceno, a partir de 23 de maio de 2026 (sábado), às 14h, na Travessa Dona Paula, 108. Com texto crítico de Laura Lima, a exposição investiga formas orgânicas e relacionais de existência, em que corpo, matéria, cor e espaço se tornam sistemas vivos de conexão, transformação e continuidade. Serão apresentadas cerca de dez obras inéditas, realizadas especialmente para a mostra, que marca a segunda exposição individual da artista na capital paulista.
Com apenas uma peça de chão — diferentemente do início de sua produção, quando essa lógica espacial se organizava de outra maneira —, os trabalhos agora ganham força para se erguer e ocupar majoritariamente as paredes, mesmo preservando um “corpo mole”, como a própria artista costuma definir. Como em um estudo sobre gravidade e expansão, as obras parecem transformar-se continuamente: uma matéria que se converte em outra, que abraça outra, que tensiona o espaço em direção a novos deslocamentos.
As esculturas sugerem movimento, como se fossem dotadas de vida própria. A sensação de pulsação emerge das construções em espiral, das costuras, dos fluxos cromáticos e das tensões entre peso e suspensão. São formas que parecem expandir-se e contrair-se continuamente, como organismos em permanente mutação.
Continuidade
O trabalho de Maria Nepomuceno opera em constante transformação, como se cada exposição carregasse desdobramentos da anterior. Não se trata da repetição de uma mesma mostra, mas da construção de uma linha contínua de investigação formal, cromática e espacial. Cordas, contas, tramas e transições lentas de cor reaparecem como elementos recorrentes, conectando diferentes momentos de sua produção por meio de mudanças graduais.
Há questões que a artista transporta de uma exposição para outra, desenvolvendo determinadas pesquisas estéticas e ampliando sentidos ao longo do tempo. A relação com a cor, por exemplo, tornou-se também um modo de estruturar o próprio fazer. Se antes predominavam tons muito quentes e avermelhados, outras camadas cromáticas passaram a surgir gradualmente, alterando o ponto de partida de cada trabalho. Em muitos casos, a obra nasce primeiro da cor, antes mesmo do tema. Existe, assim, uma corporeidade escultórica construída a partir de uma lógica cromática próxima da pintura.
Sensorial
Nas obras da artista, não há começo nem fim definidos. As passagens lentas de cor interessam cada vez mais à artista carioca. Em determinados trabalhos, um núcleo branco se desloca lentamente para o rosa e depois para o azul, atravessado por pequenas contas que avançam até as bordas como uma explosão em câmera lenta. Tons de laranja, vermelho, rosa e azul — presentes de maneira potente na mostra — parecem expandir-se de forma gradual, criando uma experiência simultaneamente tátil, sensorial e imersiva.
Parceria galeria Sardenberg
No segundo piso da galeria, acontece a mostra “José Bento: Mão amiga", em colaboração com a galeria Sardenberg, que também fica localizada na Travessa Dona Paula, em Higienópolis. Ele apresenta um conjunto de esculturas inéditas que evocam utensílios domésticos, alimentação e escassez. Colheres monumentais, pratos escavados em troncos antigos e recipientes preenchidos por sementes aparecem ao lado de uma escultura hiper-realista de um barril de petróleo talhado em madeira maciça. Ele ocupa também os imóveis no número 134 e 29 (mais recente) da galeria Sardenberg.
Sobre Maria Nepomuceno
Artista brasileira, vive e trabalha na cidade do Rio de Janeiro. Dedica-se a instalações, esculturas, desenho e pintura, criando organismos em tramas que englobam tecido, contas de colar, corda, palha, argila, cerâmica, madeira, plantas e diversos outros materiais. Por vezes, incorpora também objetos de uso cotidiano e artesania popular, sobretudo oriundos do Brasil. A partir de pesquisas e viagens, Maria integra referências de práticas coletivas de comunidades indígenas, de tecelãs e do Carnaval em suas obras, como forma de interlocução com o espaço, o tempo e a diversidade cultural. Em sua produção escultórica, é recorrente a combinação de cores vibrantes e o equilíbrio de volumes como propulsores de um anacronismo entre tempos — uma espécie de matemática viva, na qual suas formas incorporam um raciocínio poético e afetivo intenso.
Em 2025, a artista participa da 24a edição da Bienal de Arte Paiz, intitulada “El Árbol del Mundo”, em Antigua, Guatemala. Também integra as exposições coletivas “Concordar em Discordar”, n’A Gentil Carioca, São Paulo, Brasil, “Dengo, Delírio e o Direito de Amar”, no Solar dos Abacaxis, no Rio de Janeiro, Brasil, “Material Witness”, no Rubell Museum, em Washington D.C, EUA e “Folia”, na Abdülmecid Efendi Mansion, em Istambul, Turquia.
Em 2024, a artista participou das exposições coletivas como “Nasci de Uma Flor” Nichido Contemporary Art, Tóquio, Japão. Em 2023, participou das exposições coletivas “To Weave the Sky: Textile Abstractions from the Jorge M. Pérez Collection”, no El Espacio 23 em Miami, EUA e “Corpo Botânico”, no Pavilhão Victor Brecheret (Parque da Catacumba, Rio de Janeiro, Brasil). No mesmo ano, ainda participou da exposição "Maria Nepomuceno & Valentina Liernur Condo São Paulo 2023", n'A Gentil Carioca, em São Paulo.
Suas exposições individuais incluem “Big Bang Boca", no Instituto Artium, em São Paulo; “Dentro e Fora Infinitamente", SCAD Museum of Art, Georgia, EUA; "Roda das Encantadas", Sikkema Jenkins & Co, Nova York, EUA; "Cordão Forte", Lugar Comum, Salvador, Brasil (2022); "Refloresta", The Portico Library, Manchester, Reino Unido (2021); "Pelo Amor...", A Gentil Carioca, Rio de Janeiro, Brasil (2018); "Afetosynteses", Stavanger Kunstmuseum, Stavanger, Noruega (2017). Participou também das exposições coletivas "A Trama da Terra que Treme", A Gentil Carioca, São Paulo, Brasil; "Novos Horizontes - Inside Brazil's Contemporary Art Scene Vol. 1", Nichido Contemporary Art, Tokyo, Japão; "Forest: Wake this ground", Arnolfini Arts, Bristol, Reino Unido; "Threading the Needle", The Church Sag Harbor, Nova York, EUA (2022); "Bumbum Paticumbum Prugurundum", A Gentil Carioca, São Paulo, Brasil; "Ichihara Art x Mix 2020+", Ichihara, Japão (2021); "My Body, My Rules", Pérez Art Museum, Miami, EUA; "Já estava assim quando eu cheguei", Ron Mandos, Amsterdam, Holanda; "Collection of Catherine Petitgas", Museum of Contemporary Art MOCO, Montpellier, França (2020); entre outras.
Suas obras integram as coleções do Solomon R. Guggenheim Museum (EUA); Museum of Fine Arts Boston (EUA); Coleção Gilberto Chateaubriand – Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro (Brasil); Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand (Brasil); Rubell Museum (EUA); Allen Memorial Art Museum (EUA); Guggenheim Abu Dhabi (Emirados Árabes Unidos); National Gallery of Canada (Canadá); Hirshhorn Museum and Sculpture Garden (EUA); Museu de Arte do Rio (Brasil); Museu de Arte Moderna da Bahia (Brasil); Instituto Inhotim (Brasil), dentre outros.
Serviço
“∞ ∞ (infinita infinito) Maria Nepomuceno”
Texto crítico: Laura Lima
“José Bento: Mão amiga"
Abertura: 23 de maio de 2026 (sábado), 14h às 18h
Em cartaz: 23 de maio a 01 de agosto de 2026
Visitação: De segunda a sexta, das 10h às 19h
Sábado, das 11h às 17h
Local: A Gentil Carioca São Paulo
Travessa Dona Paula, 108 – Higienópolis, São Paulo/SP - 01239-050
Site: https://www.agentilcarioca.com.br/