Como o esporte contribui para o desenvolvimento de crianças com autismo?

 Especialista do IBMR destaca impactos positivos na coordenação motora, no comportamento e nas relações sociais


A prática de atividades físicas na infância vai muito além do lazer: ela é parte fundamental do desenvolvimento. No caso de crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA), o esporte pode ser um importante aliado no avanço de habilidades motoras, na autorregulação e na socialização.


Segundo o Dr. Estêvão Monteiro, professor de Educação Física do IBMR, integrante do maior e mais inovador ecossistema de qualidade do Brasil, o Ecossistema Ânima, o movimento desempenha um papel central no crescimento infantil. “A atividade física não é um detalhe na infância; ela é parte do próprio desenvolvimento. Para qualquer criança, o movimento favorece saúde cardiovascular, força, ossos, sono, cognição, humor e aprendizagem. No caso das crianças com TEA, há benefícios particularmente relevantes em habilidades motoras, comportamento, autorregulação e participação nas atividades do dia a dia”, explica.


Além dos ganhos físicos, o esporte também se destaca como uma ferramenta importante para a socialização. A vivência em atividades coletivas cria oportunidades de interação, contribuindo para o desenvolvimento de habilidades sociais e comunicativas. “O esporte cria algo muito valioso: situações reais e repetidas de convivência. A criança aprende a esperar a vez, compartilhar espaço, seguir regras, observar o outro, responder a sinais, cooperar, lidar com pequenos erros e comemorar conquistas. Ou seja, a socialização deixa de ser uma ideia abstrata e vira prática corporal concreta”, afirma o professor.


Embora não exista uma modalidade ideal para todas as crianças com TEA, diferentes atividades podem trazer bons resultados, desde esportes coletivos até práticas como natação, dança, artes marciais e equoterapia. O mais importante, segundo o especialista, é respeitar o perfil individual de cada criança. A escolha da atividade deve levar em conta fatores como nível de coordenação motora, perfil sensorial, forma de comunicação, interesses da criança e, principalmente, a possibilidade de adesão. Mais do que definir qual esporte é o melhor, é essencial avaliar em qual contexto essa criança consegue participar, evoluir e se sentir pertencente.


Para garantir uma prática segura e inclusiva, adaptações no ambiente e na condução das atividades são essenciais. Entre as recomendações estão o uso de instruções claras, apoio visual, rotinas previsíveis e progressão gradual dos exercícios. “A palavra-chave é individualização. Inclusão de verdade não é só deixar entrar; é garantir que a criança participe, aprenda e permaneça. É preciso ajustar o ambiente, a comunicação e a progressão da atividade, respeitando o tempo e as necessidades de cada criança”, reforça.

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