- Estudo é do Itaú Educação e Trabalho e da Fundação Arymax, elaborado pelo Instituto Veredas, e apresenta recomendações de como alinhar os programas atuais de qualificação e requalificação profissional às necessidades dos jovens e demandas do mundo do trabalho, com foco em qualidade, integração das trajetórias formativas, conexão com estratégias de desenvolvimento e governança orientada a resultados;
- Estudo será divulgado em evento em 19 de março, no Itaú Cultural, em São Paulo
São Paulo, março de 2026 – Um a cada três brasileiros estará fora da faixa etária economicamente ativa em 2040, que compreende pessoas de 15 a 64 anos, sendo dependente da força de trabalho dos demais. O dado reforça a necessidade urgente de qualificação e requalificação das juventudes nos dias atuais para que o Brasil não fique para trás no seu desenvolvimento socioeconômico. As informações são do estudo inédito “(Re)qualificação da juventude em um mundo em transformação”, do Itaú Educação e Trabalho e da Fundação Arymax, elaborado pelo Instituto Veredas.
O estudo estima que, enquanto em 2025 existiam 45 pessoas inativas para cada 100 ativas, essa quantidade passará para 58 em 2050, e para 75 em 2070. Esse envelhecimento populacional exigirá maior produtividade das juventudes para sustentar a crescente demanda por cuidado - para crianças e idosos -, reforçando a urgência de investimento, a partir de agora, no desenvolvimento de competências e em sua inserção produtiva.
Evolução da razão de dependência no Brasil entre 2010 e 2070

Fonte: Itaú Educação e Trabalho, Fundação Arymax e Instituto Veredas a partir do IBGE (2025).
O bônus demográfico já está ficando para trás. O estudo mostra que se o país não investir desde já na inclusão produtiva digna de jovens e na sua qualificação, a força de trabalho do futuro, que deve sustentar esse terço da população brasileira inativa, estará fortemente comprometida.
Além disso, as novas tecnologias e os desafios da questão ambiental já estão impactando de forma significativa o mundo do trabalho e as trajetórias de formação profissional. Esses aspectos demandam promoção da digitalização e incorporação de práticas sustentáveis no setor produtivo associadas ao desenvolvimento de competências profissionais para quem integra e quem integrará o mercado de trabalho.
“O fim do bônus demográfico e as mudanças no mundo do trabalho tornam necessárias e, de forma urgente, a formação e a inclusão produtiva digna dos jovens hoje. É uma forma de garantir que o país promova uma trajetória ocupacional de qualidade e que contribua para o bem-estar social no futuro. Políticas públicas de qualificação e requalificação que alcancem todas as juventudes, principalmente as que estão em situação de vulnerabilidade, devem ser efetivas para combater desigualdades já existentes,” afirma Cacau Lopes da Silva, gerente de Pesquisa, Desenvolvimento e Implementação do Itaú Educação e Trabalho.
“A qualificação profissional precisa acompanhar a velocidade das transformações do mercado de trabalho. Estamos vivendo um momento em que novas tecnologias, modelos de negócio e novas relações de trabalho surgem de maneira acelerada, exigindo competências técnicas e socioemocionais cada vez mais atualizadas. Não se trata apenas de formar para o primeiro emprego, mas de preparar pessoas para trajetórias profissionais dinâmicas, em constante evolução”, afirma Natália Di Ciero Leme Quadros, gerente de Programas e Parcerias da Fundação Arymax.
“O Brasil se encontra em um momento estratégico para desenhar a formação profissional que pode equipar os jovens para construir o futuro do país. Temos muitos programas de qualificação profissional sendo oferecidos, mas eles precisam ser abordados de maneira mais estratégica e favorecendo a integração entre os cursos. Se fizermos isso, podemos criar as condições para que mais jovens encontrem caminhos promissores em suas vidas e para que ajudem o país a navegar em um período de muitas mudanças”, diz Vahíd Vahdat, responsável pela área de Inclusão Produtiva e Desenvolvimento Sustentável do Veredas.
RECOMENDAÇÕES PARA QUALIFICAR AS JUVENTUDES
A partir da revisão de 211 documentos nacionais e internacionais, além de entrevistas, grupos focais e oficinas com 40 participantes, entre eles jovens, gestores públicos, especialistas e representantes do setor produtivo, durante um período de seis meses em 2025, o estudo traçou uma série de recomendações e ações em cinco eixos mais críticos. São eles:
- ajustar os programas de qualificação profissional ao perfil do público-alvo;
- oferecer programas de qualificação profissional de excelência;
- melhorar a conexão entre os programas de qualificação profissional e estratégias de desenvolvimento de médio e longo prazo;
- melhorar a integração entre as diferentes formações, favorecendo a verticalização e a requalificação;
- fortalecer a governança dos programas e sua orientação a resultados.
Primeiro eixo – Público-Alvo - A adaptação ao público-alvo inclui a valorização de aprendizagens prévias, inclusive informais, no processo de qualificação e a retomada de trajetórias formativas interrompidas. Prevê, também, a necessidade de desenvolvimento de habilidades socioemocionais, cursos com horários flexíveis, facilitação do acesso aos programas e oferta de auxílio-financeiro durante a formação.
Segundo eixo – Qualidade e Excelência - Propõe a oferta de programas de qualificação de excelência, a partir do uso de metodologias que gerem engajamento e permitam desenvolver competências que atendam diversas áreas de atuação, além de conexão de cursos com a demanda por profissionais e, também, estratégias de apoio no pós-curso, que promovam empregabilidade e progressão profissional dos jovens.
Terceiro eixo – Conexão com a demanda de médio e longo prazo - Recomenda melhoria da conexão entre os programas de qualificação profissional e estratégias de desenvolvimento de médio e longo prazo. Segundo a pesquisa, formações desconectadas das demandas territoriais tendem a gerar frustração e resultados limitados. Recomenda-se mapear demandas locais, aproximar programas de setores promissores como as economias verde, digital, criativa e do cuidado e integrar a qualificação a políticas de desenvolvimento territorial, de modo que a formação esteja alinhada às oportunidades reais de trabalho.
Quarto eixo – Integração entre formações - Aponta para a necessidade de integrar as diferentes formações em um sistema mais coerente e progressivo. A fragmentação atual faz com que muitos jovens acumulem cursos curtos que não se conectam entre si. O estudo defende a criação de itinerários formativos verticalizados, com certificações modulares e reconhecimento de competências, permitindo que os participantes avancem do nível inicial ao técnico ou superior sem perder os aprendizados acumulados ao longo do percurso.
Quinto eixo – Governança e Resultados - Fortalecer a governança e a orientação a resultados dos programas também é uma recomendação em destaque. Para que isso seja possível, é necessário ampliar a coordenação entre governo, setor produtivo e organizações formadoras. Instâncias colaborativas, participação ativa das juventudes, financiamento vinculado a metas e sistemas integrados de monitoramento precisam ser considerados de forma a evitar a sobreposição e lacunas nas intervenções.
O estudo avalia que, para lidar com os desafios de dependência da força de trabalho do futuro, é fundamental abordar de maneira estratégica os programas de qualificação profissional e como esses são integrados nas trajetórias formativas dos jovens. A partir de novos formatos de cursos e formas de articulação entre programas será possível estabelecer um sistema de qualificação ágil e flexível.
Sobre o Itaú Educação e Trabalho
O Itaú Educação e Trabalho (IET) faz parte da Fundação Itaú. Atua há quase duas décadas, em parceria com entidades civis e o poder público, para apoiar e incentivar a implantação de políticas de Educação Profissional e Tecnológica (EPT) com foco em três eixos principais: ampliação do número de jovens inscritos na formação profissional, oferta de qualidade e maior inclusão produtiva desses estudantes. Para o Itaú Educação e Trabalho, a educação é um vetor de desenvolvimento social e econômico de uma nação. Por isso, atua para que os estudantes tenham uma formação qualificada para o mundo do trabalho, em uma realidade em constante mudança, e se sintam estimulados a seguir aprendendo em todas as etapas da vida.
Saiba mais no site do Itaú Educação e Trabalho.
Acompanhe informações sobre Educação Profissional e Tecnológica no Observatório Fundação Itaú .

Sobre a Fundação Arymax
É uma instituição sem fins lucrativos, que atua há mais de 30 anos no Brasil com o compromisso de contribuir com o desenvolvimento social do país. Desde sua fundação, em 1990, a organização apoia iniciativas que geram impacto social positivo na sociedade. A partir de 2019, a Arymax redefiniu sua atuação para a causa da inclusão produtiva, apostando no poder transformador do trabalho para melhorar a qualidade de vida das pessoas, inserir a população em vulnerabilidade econômica no mundo do trabalho, especialmente nas economias do futuro e contribuir para a produtividade do país. Também se dedica à produção e difusão de conhecimento e à articulação de atores para qualificar e ampliar a eficácia do campo de inclusão produtiva.
Sobre o Instituto Veredas
O Instituto Veredas é uma ONG brasileira que nasceu em 2016 para construir pontes entre gestão pública, academia e sociedade civil, apresentando alternativas que geram mais acesso ao conhecimento técnico e científico no desenho e execução de políticas públicas. A instituição atua nas áreas de Tradução do Conhecimento e das Políticas Informadas por Evidências (PIE), apoiando na identificação e priorização de desafios sociais, na busca por soluções efetivas e com equidade, bem como no desenho e na implementação de políticas públicas e intervenções sociais em diferentes áreas.