Com o retorno de milhões de estudantes brasileiros às salas de aula em 2026, a segurança no ambiente escolar volta ao centro do debate público, e não é para menos: segundo dados nacionais da Fapesp divulgados em 2025, os casos de violência no ambiente escolar mais do que triplicaram em 10 anos, atingindo o ápice em 2023, com mais de 13 mil estudantes atendidos pela rede pública e privada de saúde, após casos de automutilação, tentativa de suicídio ou ataques psicológicos e físicos.
Para o especialista em segurança pública, coronel Antonio Branco, o início do ano letivo vai além da retomada do calendário escolar. “Esse é um momento estratégico para fortalecer a cultura de prevenção. A violência não se resolve apenas com policiamento, mas com ações integradas que envolvem educação socioemocional, capacitação de profissionais e participação da comunidade”, afirma.
O especialista aponta que o uso de tecnologias de monitoramento, protocolos de emergência bem definidos e a aproximação entre escolas e forças de segurança também podem contribuir para a prevenção de incidentes. Ferramentas de comunicação rápida, treinamento para identificação de sinais de risco e integração com serviços de assistência social ampliam a capacidade de resposta das instituições de ensino diante de situações de ameaça.
“A violência no entorno das escolas e os conflitos familiares impactam diretamente o cotidiano escolar. Por isso, sistemas de alerta, ações de segurança e apoio psicológico precisam caminhar juntos para garantir um retorno seguro e produtivo”, destaca Branco. Na prática, porém, muitos gestores enfrentam obstáculos para colocar essas medidas em funcionamento. A falta de recursos financeiros, de capacitação contínua para professores e de infraestrutura adequada de proteção ainda limita a adoção de políticas eficazes, especialmente nas redes públicas, com menor orçamento.
Diante do avanço dos índices de violência e do aumento de interrupções das atividades escolares por questões de segurança, torna-se cada vez mais evidente a necessidade de articulação entre educação, segurança pública e sociedade civil. A necessidade de investimento em prevenção, formação de educadores, suporte psicossocial e políticas públicas consistentes é fundamental para que as escolas cumpram seu papel como espaços seguros, acolhedores e favoráveis ao aprendizado.