Correria de final de ano: como o sono na vida agitada pode alterar nossa saúde mental?

 A reta do final do ano é, para muitos, sinônimo de sobrecarga de demandas, prazos apertados e uma rotina mais acelerada. Em meio a essa "correria de final de ano", é fácil deixar de lado a base para o bem-estar: o sono. No entanto, a privação de sono impacta profundamente a saúde mental, alterando desde o humor e a capacidade de regular emoções, até habilidades cognitivas essenciais para o cotidiano. Em parceria com a CiaDoSono, a psicóloga, psicanalista e palestrante Luciana Deretti faz um alerta fundamental: o sono não é um luxo, mas sim uma prioridade para manter o equilíbrio da mente, especialmente em períodos de rotinas mais agitadas.

Banco de Imagens | Foto de Elisa Ventur na Unsplash

Todo mundo já teve uma noite de sono mal dormida que resultou em uma manhã de estresse: nesses dias, qualquer inconveniente, por menor que seja, pode se tornar um grande acontecimento; e qualquer palavra mal interpretada pode se tornar uma grande discussão. Nesse contexto, a psicóloga Luciana adverte: “quando não dormimos bem, a nossa capacidade de regular emoções é afetada, nos deixando suscetíveis à irritabilidade e ansiedade, por exemplo”. 

A privação de sono, independentemente de sua origem (se por insônia ou se forçada por conta de trabalho), impacta profundamente a saúde mental. Para além do humor que é alterado, nossas habilidades psíquicas e cognitivas relativas ao cotidiano também são atingidas.  

“A privação de sono pode interferir nos múltiplos papéis que desempenhamos na nossa vida: tarefas simples que necessitam da nossa atenção, a criatividade para elaborar projetos, e também o foco para tomada de decisão são exemplos de atividades básicas que são prejudicadas.” 

Em um cenário de longo prazo, a falta de descanso adequado pode intensificar sintomas depressivos e ansiedade, desequilibrando nossa mente e prejudicando o protagonismo sobre as nossas vidas.  

 

E por que isso acontece? 

Durante o sono, o cérebro realiza processos fundamentais para a manutenção da saúde emocional e cognitiva: “nossas memórias e aprendizados são consolidados e hormônios ligados ao humor e estresse são regulados”, explica Luciana.  

Quando dormimos mal, esses processos não são finalizados e o funcionamento de cérebro e sistema nervoso é alterado: “a amígdala, centro das respostas emocionais, fica hiperativa, aumentando impulsividade e ansiedade. Ao mesmo tempo, o córtex pré-frontal, responsável por decisões e autocontrole, funciona com menor eficiência.” 

O sono é fundamental também para nossa capacidade de aprender, e por isso afeta imensamente o desempenho em qualquer área da vida. É enquanto dormimos que o cérebro “organiza a casa”: ele identifica o que é irrelevante, o que precisa ser armazenado e o que deve ser reforçado como memória de longo prazo. Além disso, durante o sono, é também momento para reorganização de circuitos emocionais responsáveis pela capacidade de ser resiliente às adversidades da vida. 

 

Quando o ritmo afeta o descanso 

Com a aproximação do final do ano, é normal que o nosso ritmo fique mais acelerado: os prazos para o trabalho ficam apertados, relatórios precisam ser entregues, e até mesmo as avaliações de final de semestre são situações que podem nos tirar da tranquilidade. “Quando vivemos uma semana de sobrecarga de demandas, o cérebro não consegue consolidar as vivências, a atenção diminui, o raciocínio fica mais lento e o acesso às memórias já armazenadas se torna menos eficiente”, destaca Luciana. 

Nessas situações, “virar a noite” estudando para provas ou fazer longas horas a mais que o normal do expediente de trabalho é quase algo corriqueiro. Para momentos como esse, Luciana reforça a importância da conscientização tanto nas escolas e nos lares, quanto nas empresas: “estudos recentes mostram que melhorar a qualidade do sono reduz depressão e ansiedade — e em ambientes corporativos isso significa maior presença, melhor tomada de decisões e menor risco de burnout”. 

“Sabemos que uma cultura organizacional que prioriza a saúde emocional das pessoas potencializa sua produtividade e criatividade” 

 

Saiba identificar os sinais de alerta 

A insônia é um importante indicador de saúde mental e sua relação com a depressão é muito próxima: por vezes, ela pode ser um dos sintomas; por vezes, pode ser um dos fatores que contribuem para o surgimento desta condição emocional. “O estresse excessivo, a ansiedade e sobrecarga emocional afetam imensamente a qualidade do sono, gerando um ciclo de sobrecarga que é muitas vezes determinante para o risco de desenvolver transtornos psíquicos”, frisa Luciana. 

“Alterações de sono são um importante indicador para que se preste mais atenção ao ritmo de vida, a qualidade dos relacionamentos e as condições de saúde do corpo e da mente.” 

Ao mesmo tempo, dormir uma quantidade de horas que vai muito além do que o necessário também é um importante sinal de alerta. Segundo Luciana, quando o corpo dorme em excesso, é porque algo não está bem, podendo ser uma necessidade de se desligar da realidade em razão de algum conflito emocional, ou uma consequência da falta de energia pela sobrecarga do cotidiano, e até mesmo questões hormonais. 

“A hipersonia aparece em alguns tipos de depressão, especialmente na depressão atípica, em jovens e em quadros associados a ansiedade intensa ou exaustão emocional.” 

 

Hábitos para sono e mente saudáveis 

A higiene do sono, um conjunto de práticas e hábitos que promovem um sono de qualidade, surge nesse contexto não apenas como um auxílio pontual, mas como uma estratégia importante para a manutenção da saúde mental, especialmente em períodos de sobrecarga, como o final do ano.  

O ambiente que preparamos para dormir faz toda a diferença: “um quarto escuro ajuda o cérebro a produzir melatonina, o hormônio que sinaliza ao corpo que é hora de desacelerar. Assim, a claridade atrapalha esse processo e reduz a profundidade do sono”, reforça a psicóloga. 

“O silêncio também é essencial: mesmo adormecido, o cérebro continua atento aos sons ao redor. Ruídos intermitentes fragmentam o descanso, afetando energia, humor e concentração no dia seguinte.

A temperatura do quarto e a posição que ficamos para dormir também têm impacto semelhante. Segundo Luciana, se o corpo passa por algum desconforto físico quando dormimos, a mente permanece em estado de alerta, o que ocasiona “microdesperatres” que impedem o sono profundo e reparador. “Ambientes silenciosos e confortáveis não são um luxo, mas um cuidado muito importante para o descanso de qualidade”, destaca. 

“Quando dormimos bem, aumentamos significativamente nossa capacidade de lidar com as dificuldades da vida e de relacionamentos, mantendo ao longo do dia nossa disposição física e mental.” 

 

Qual o momento de procurar ajuda? 

Para Luciana, as alterações do sono em momentos pontuais são comuns e podem acontecer com todos nós. O primeiro passo é prestar atenção aos aspectos que são condição básica para a qualidade do sono, como diminuir o uso de telas, evitar cafeína à noite, cuidado com o ambiente e a priorização de uma rotina de 7 a 9 horas de sono por noite. 

O ponto de alerta é, mesmo após todos os ajustes possíveis, quando a privação de sono se torna parte da nossa realidade:  

“Quando a insônia ou o sono excessivo permanece e dura mais de três semanas com impacto perceptível no dia a dia (alteração de humor, irritabilidade, desinteresse, queda de energia e prejuízos cognitivos que afetam a produtividade), é hora de procurar uma ajuda profissional.” 

Este pode ser um quadro de demanda emocional ou orgânica e somente uma avaliação profissional pode dar o encaminhamento necessário para a melhora efetiva. Quanto antes diagnosticadas as causas destas alterações, menor o risco de que estes sintomas se agravem e suas consequências gerem maiores danos, afinal, qualidade de vida é determinante para uma vida plena e feliz. 

“Vejo no consultório muitos casos de pacientes que chegam já no limite da exaustão, e isso é muito perigoso. Uma rotina acelerada é muitas vezes banalizada e seu efeitos acabam sendo naturalizados: é a famosa expressão 'vida corrida’ que para muitos traz a sensação de que estar fazendo a vida valer a pena é não parar nunca.” 

Em um mundo que muitas vezes banaliza a "vida corrida" e enaltece a exaustão, a mensagem da psicóloga Luciana Deretti é clara: priorizar a qualidade do sono é uma estratégia essencial para a preservação da saúde mental, evitando outros prejuízos nos múltiplos papeis da vida. Ao adotar a higiene do sono, que inclui desde o cuidado com o ambiente silencioso e confortável até a priorização de 7 a 9 horas de descanso, aumentamos nossa capacidade de lidar com as dificuldades da vida e de relacionamentos. É nesse contexto que a CiaDoSono se posiciona como sua aliada, oferecendo não apenas produtos, mas o apoio necessário para que você tenha um descanso reparador e de qualidade, essencial para uma vida plena e feliz.


Sobre a CiaDoSono:

Fundada em 1987, a CiaDoSono nasceu de uma necessidade familiar: um dos fundadores sofria com fortes dores na coluna até descobrir uma tecnologia japonesa que trouxe alívio imediato e transformou noites de dor em descanso. Desde então, a marca tem um propósito claro: mudar a forma como as pessoas enxergam o momento de dormir. Hoje, já na terceira geração da família fundadora, a CiaDoSono mantém seu legado de cuidado e inovação, adaptando tecnologia de ponta para atender aos biotipos da população brasileira e ajudando a construir uma verdadeira cultura do sono no país.

Sitewww.ciadosono.com.br

Instagram@ciadosono

 

Sobre a Psicóloga Luciana Deretti:

Psicóloga, psicanalista, especialista em Psicanálise Vincular (Grupos e Família), Psicanálise de Adultos e Psicanálise da Infância e Adolescência. Com mais de 20 anos de experiência em consultório privado, acompanhou centenas de pacientes na sua jornada de desenvolvimento pessoal e profissional. Autora do best-seller "Invencível: a felicidade como uma escolha inegociável", capacita seres humanos para uma jornada de propósito e protagonismo.

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