A tecnologia como aliada na transição tributária: o que muda para os shoppings em 2026

 Por Bosco Magalhães

Durante anos, acompanhamos de perto a forma como a tecnologia foi gradualmente integrada à gestão dos shoppings centers no Brasil. Houve um tempo em que sugerir um sistema em nuvem era sinônimo de resistência. A preocupação com estabilidade, segurança e autonomia fazia com que boa parte do mercado preferisse manter tudo sob seu controle direto, mesmo que isso significasse mais custo, menos integração e pouca flexibilidade.

Hoje, a nuvem é um padrão. Poucos discutem sua eficiência e valor. O que antes era temido, virou base para gestões mais enxutas, conectadas e confiáveis. E o que mudou? A compreensão de que tecnologia bem aplicada não é risco, é estrutura. Isso vale agora, mais do que nunca, diante da maior mudança fiscal das últimas décadas: a Reforma Tributária.

Com a implantação progressiva do IBS e da CBS, a partir de 2026, todos os setores terão que revisar processos, reformular sistemas e se adequar a novas obrigações. No caso dos shoppings, o desafio ganha um contorno mais delicado, por conta da relação com centenas de lojistas, contratos diversos e um modelo de operação que exige adaptação cuidadosa às novas regras operacionais e de tributação.

Estamos diante de uma fase de testes: o chamado "ambiente de produção restrita" permitirá que empresas simulem a cobrança dos novos tributos, sem impacto financeiro direto. Parece simples, mas não é. Para que a simulação funcione, é preciso que os ERPs estejam prontos, as parametrizações fiscais adequadas e os cadastros corrigidos. Sem isso, os testes viram ficção.

A CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços) e o IBS (Imposto sobre Bens e Serviços) substituem cinco tributos atuais: PIS, Cofins, IPI, ICMS e ISS. A cobrança será feita no local de consumo e os impostos não serão mais cumulativos. Isso significa que empresas poderão aproveitar créditos fiscais de forma ampla e direta, reduzindo a complexidade do sistema atual. Além disso, os tributos serão destacados na nota fiscal, ampliando a transparência para o consumidor.

Alguém pode se perguntar: é mesmo necessário antecipar esse movimento? Minha resposta é direta: sim. E digo isso com base na experiência de quem, lá em 2008, acreditou que o futuro da gestão estava na integração e na automação. Fomos os primeiros a colocar um ERP 100% em nuvem operando em shopping centers no país. Não havia jurisprudência, não havia modelo, mas havia visão.

O que está em jogo agora é a mesma capacidade de antecipação. Os gestores terão que, ao longo de 2026, se estruturarem melhor, mapear processos, adaptar suas equipes, treinar suas contabilidades e atualizar seus sistemas, para que em 2027 já estejam estruturados. A transição não será apenas fiscal, será organizacional. Exigirá que financeiro, fiscal, contábil e TI falem a mesma língua.

Na prática, isso significa revisar contratos de locação, alinhar os modelos de cobrança com a nova lógica tributária, preparar relatórios gerenciais com base nas novas alíquotas e regras de crédito, e garantir que as plataformas estejam aptas a gerar notas fiscais com os novos campos exigidos. Tudo isso com o risco real de que, sem esses ajustes, o faturamento possa ser comprometido.

Assim como vivemos a implantação da nota fiscal eletrônica, do SPED e da LGPD, vivenciaremos a adaptação ao modelo de IVA Dual brasileiro. O que diferencia os que acertam dos que correm atrás é a postura. Reforma Tributária não é problema: é contexto. E é justamente nesse contexto que a tecnologia bem aplicada faz a diferença.

O que eu diria a um gestor de shopping hoje é: olhe para dentro. Você tem as informações certas para tomar decisões? Seus dados estão integrados? Seus contratos estão preparados para lidar com novos tributos? Seu sistema permite destacar e acompanhar IBS/CBS com segurança? Se a resposta for não, não espere pelo final da fase de teste em 2026. Porque ali, será tarde.

A tecnologia está pronta. O que falta, muitas vezes, é a decisão de se mover. E como vimos ao longo da história da gestão fiscal no Brasil, quem se antecipa não apenas evita o prejuízo, lidera o mercado.

 

Sobre o Grupo EASE

Fundado em 1995 por Bosco Magalhães, o Grupo EASE é pioneiro no setor de gestão para shopping centers, tendo sido a primeira empresa da área a operar com infraestrutura em nuvem, desde 2008. Desenvolvido no Brasil e adaptado à realidade tributária e operacional nacional, seu principal produto, o Ease Controller.net, é um sistema modular que integra todos os departamentos internos e sistemas externos, garantindo eficiência, segurança e conformidade fiscal. Com sede em Cotia (SP) e atuação em todo o país, a empresa soma 4 milhões de m² de ABL e 99 mil contratos de locação ativos sob gestão. A estrutura do grupo inclui a RBMS, voltada à consultoria empresarial liderada por Bosco Magalhães; a EASE Serviços de Informática (desenvolvimento e evolução do sistema) e a EaseMall – Centro de Serviços Compartilhados (CSC).

 

Sobre Bosco Magalhães

Fundador e presidente do Grupo EASE, Bosco Magalhães possui mais de 40 anos de experiência em gestão e desenvolvimento de empreendimentos comerciais. Técnico em contabilidade, iniciou sua trajetória na área administrativa e contábil, atuou com construção civil até se tornar executivo na área de gestão corporativa. Vivendo o mercado, em 1995, identificou a necessidade de um sistema específico para a gestão de shopping centers, com foco em governança e compliance, e deu início à empresa que se tornaria uma das mais reconhecidas do segmento, por meio do ERP Ease Controller.net. Desde então, lidera a evolução da empresa, que cresceu para atender empreendimentos em todo o Brasil, consolidando um ecossistema de tecnologia, consultoria e serviços que eleva padrões de eficiência, confiabilidade e inovação no setor.

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