Nova empresa, batizada de Finza, nasce para estruturar financiamento diretamente nos canais de venda de fabricantes e ampliar o acesso de microempreendedores a equipamentos produtivos e projeta carteira de R$ 40 milhões em 2026
Após originar mais de R$ 750 milhões em crédito produtivo desde 2019, a Blips anuncia um novo passo em sua estratégia de crescimento. A empresa mineira, conhecida por atuar na comercialização, financiamento e locação de equipamentos para micro, pequenos e médios empreendedores, acaba de lançar a Finza, fintech criada para ampliar o acesso ao crédito produtivo e levar sua estrutura de financiamento para diferentes segmentos industriais.
A nova empresa nasce com a missão de conectar fabricantes e pequenos empreendedores que enfrentam dificuldades para obter financiamento no sistema bancário tradicional, permitindo que indústrias ofereçam crédito diretamente em seus canais de venda.
A iniciativa representa um novo momento para a Blips, que atualmente possui cerca de 9 mil equipamentos financiados em operação no país. Até então, sua operação de crédito estava vinculada exclusivamente aos equipamentos comercializados pela própria companhia, voltados a mercados como alimentação, impressão e estética. Com a criação da Finza, esse modelo passa a ser disponibilizado também a parceiros industriais interessados em incorporar soluções de financiamento às suas estratégias comerciais.
“A decisão de separar a operação foi estratégica. Percebemos que o modelo poderia atender outras cadeias produtivas além daquelas em que já estávamos atuando. Ao estruturar a fintech, conseguimos escalar mantendo governança, previsibilidade e controle de risco”, afirma Adolfo Sortica, CEO da Blips.
A operação da Finza é sustentada por um motor proprietário de análise de crédito, aliado a tecnologias de monitoramento embarcadas nos equipamentos financiados e a uma plataforma especializada de cobrança. Esse conjunto de soluções permite acompanhar os ativos em tempo real, incluindo recursos de rastreamento e controle remoto.
Crédito produtivo como vetor de crescimento
O lançamento da fintech acontece em um cenário no qual o acesso ao crédito continua sendo um dos principais desafios para quem deseja investir na expansão dos negócios. De acordo com levantamento da Confederação Nacional da Indústria (CNI), oito em cada dez empresários relatam dificuldades para obter financiamento, tendo os juros elevados como principal obstáculo. Já uma pesquisa realizada pelo Simpi em parceria com o Datafolha aponta que 60% das pequenas indústrias têm pedidos de crédito negados.
“A indústria brasileira depende de capital produtivo para crescer, mas o modelo bancário tradicional nem sempre atende esse perfil. Estruturamos uma alternativa que conecta tecnologia, ativo real e financiamento direcionado à geração de receita”, afirma Ricardo Rocha, Board Member e cofundador da Blips.
A Finza iniciou suas operações no segundo semestre de 2025 e, apenas nos dois primeiros meses de 2026, já emitiu R$ 4 milhões em Cédulas de Crédito Bancário (CCB), resultado quatro vezes superior ao volume inicial da operação. Nesse período, a empresa também firmou parcerias com Rhino, Raízen Machine e Mak CNC, que passaram a oferecer as soluções de financiamento da fintech aos seus clientes como forma de facilitar a aquisição de equipamentos.
A expectativa é encerrar 2026 com uma carteira de crédito de R$ 40 milhões e ampliar gradualmente sua presença em novos segmentos industriais.
“A Finza nasce para estruturar um novo ciclo de crédito produtivo no país, onde tecnologia, controle e geração de receita caminham juntos. Ao conectar indústrias consolidadas ao microempreendedor, ampliamos o acesso ao investimento produtivo e fortalecemos a economia real”, destaca Rocha.
Para a Blips, a criação da fintech também representa uma evolução do modelo de negócios. Ao desvincular a operação financeira da comercialização direta de equipamentos, a companhia passa a atuar como provedora de infraestrutura de crédito para outras empresas, ampliando seu potencial de escala e diversificando sua atuação no mercado.
“O crescimento da Finza ocorrerá de forma estruturada, acompanhando a expansão da base de parceiros industriais. O objetivo é transformar a fintech em uma plataforma de crédito produtivo integrada à rotina comercial das indústrias, operando como infraestrutura financeira”, finaliza Sortica.