Brasil em modo Copa: estudo revela hábitos, gastos e confiança na Seleção

 Pesquisa da ESPM mostra que 90% vão torcer pelo Brasil, 47% ainda acreditam no Hexa e quase metade dos que declaram gastar estima desembolsar R$100 ou mais por jogo


O futebol ainda move o Brasil, mas não o une como antes. A pesquisa “Envolvimento do Brasileiro com a Copa”, realizada pelo CEAM (Centro de Estudos Aplicados de Marketing), da ESPM-SP, com 400 torcedores de todas as regiões do país, revela um retrato da relação atual entre o brasileiro, a Seleção e seus principais personagens. O amor permanece vivo, mas está atravessado por desconfiança, nostalgia, polarização e esperança cautelosa. A camisa ainda emociona. O que mudou foi a relação com quem a veste.


 


Confira:


 


Quanto o torcedor pretende gastar


Entre os torcedores que afirmam ter algum gasto nos dias de jogo, 49,5% estimam desembolsar R$100 ou mais por partida. Quase um terço (29,7%) calcula gastos entre R$ 100 e R$ 199, enquanto 8,5% preveem despesas superiores a R$ 400 por jogo.


O comportamento de consumo se divide em dois grupos principais: 34% afirmam que compram bebidas ou alimentos extras para consumir em casa, enquanto outros 34% dizem não alterar seus hábitos nos dias de partida. Já 24% pretendem adquirir ou utilizar itens temáticos da Seleção, como camisas, acessórios e bandeiras.


 


Quase metade ainda acredita no hexa


Mesmo diante de críticas à equipe e à gestão do futebol brasileiro, 47% dos torcedores acreditam que o Brasil será campeão da Copa de 2026. O índice chama atenção para um país que não conquista o torneio desde 2002.


Por outro lado, o pessimismo também aparece: 18% acreditam em eliminação nas quartas de final, 15% nas oitavas e 8% apostam em queda ainda na fase de grupos. Somados, mais da metade não acredita que a Seleção chegará à decisão.


O resultado mostra um torcedor dividido entre esperança e cautela: sonha com o hexa, mas já considera a possibilidade de nova frustração.


 


90% torcem apenas pelo Brasil


A fidelidade à camisa amarela segue predominante. Segundo a pesquisa, 90% dos entrevistados afirmam que torcerão exclusivamente pelo Brasil. Caso a Seleção seja eliminada, 3% migrariam para uma equipe europeia e 2,5% passariam a torcer pela Argentina. O restante se divide entre indecisos ou os que afirmam que não torcerão para ninguém.


A avaliação atual da Seleção influencia diretamente esse comportamento. Entre os que dão nota 9 ou 10 ao time, 80% pretendem torcer pelo Brasil. Entre os que atribuem nota 4 ou menos, o índice cai para 57,4%.


Entre os críticos, cresce a chance de abandonar o torneio: 10,3% dos que avaliam mal a Seleção diz que não torcerão por nenhuma equipe, contra apenas 0,9% entre os mais otimistas.


 


Saudade do passado e perda de conexão


O estudo aponta que 67% dos entrevistados consideram que a Seleção já foi mais importante no passado do que é hoje. Outros 65% dizem sentir menos emoção assistindo aos jogos atualmente.


A percepção se intensifica entre os mais velhos. Entre torcedores de 35 a 54 anos, 71,8% afirmam que a equipe já teve maior relevância. Entre aqueles com 70 anos ou mais, o índice chega a 100%.


 


Falta de ídolos e confiança reduzida


A pesquisa também indica carência de referências incontestáveis no elenco atual. Neymar aparece como o jogador considerado mais indispensável, citado por 56% dos entrevistados, mas também enfrenta resistência: 30,5% afirmam que não o convocariam. Vinícius Jr. registra rejeição de 8,5%.


Segundo o levantamento, o Brasil chega à Copa de 2026 sem unanimidades claras entre os torcedores. A confiança na gestão do futebol brasileiro também é limitada: apenas 34% dizem confiar nas decisões da CBF.


 


Torcida segue fiel, mas cobra comprometimento


Além da questão técnica, os torcedores demonstram insatisfação com a postura dos atletas. Para 50,7%, os jogadores atuais não apresentam o mesmo comprometimento de gerações anteriores. Outros 62% consideram que os salários estão acima do que deveriam receber.


“O retrato é de um torcedor que ainda ama, ainda acompanha e ainda torce, mas que perdeu parte da confiança em quem representa essa paixão. A camisa segue mobilizando emoções, mas os jogadores já não despertam a mesma conexão”, diz Flávio Santino Bizarrias, coordenador do CEAM.


 


Orgulho permanece


Apesar das críticas, o sentimento positivo em relação à Seleção continua presente. Para 72% dos entrevistados, a história da equipe é motivo de orgulho nacional. Já 54% afirmam ainda sentir orgulho do time atual.


A nota média atribuída pelos torcedores à Seleção hoje é 6,67, em escala de 0 a 10.


Os dados indicam que o amor pela Seleção permanece vivo, mas acompanhado de cobrança crescente por desempenho, liderança e identificação dentro de campo.


 


A idade também divide


A aprovação de Neymar varia conforme a faixa etária e é mais alta entre os mais jovens. Entre torcedores de 18 a 34 anos, 64,8% defendem sua presença na Seleção, enquanto 20,8% rejeitam, uma vantagem de 44 pontos percentuais.


Entre os mais velhos, de 55 a 69 anos, o apoio é menor: 50,9% são favoráveis, enquanto a rejeição chega a 36%, reduzindo o saldo para 15 pontos percentuais.


O padrão reflete diferenças geracionais. Para os mais jovens, Neymar é a principal referência de talento e protagonismo. E entre os mais velhos, a comparação com ídolos como Ronaldo, Ronaldinho e Zico tende a elevar o nível de exigência.


 


Quem não divide


No meio da polarização em torno de Neymar, alguns nomes surgem como pontos de consenso entre os torcedores. Endrick é o caso mais emblemático: 15,5% o querem na Seleção, enquanto apenas 1,8% o rejeitam, um saldo positivo de quase 14 pontos percentuais. Estevão aparece com 4,5% de aprovação e 0,8% de rejeição. Já Luiz Henrique registra 4,5% de aprovação e nenhum índice de rejeição em toda a amostra.


O contraste com jogadores mais experientes é evidente. Lucas Paquetá tem mais rejeição (10%) do que aprovação (5,5%), enquanto Danilo apresenta cenário semelhante: 9,8% de rejeição contra 3,2% de aprovação. São nomes que já passaram pelo crivo da torcida e não saíram ilesos.


A diferença está, em grande parte, no fator geracional. “São jovens ainda sem passado para cobrar. Ainda não tiveram tempo de decepcionar ninguém, ainda não perderam Copa nenhuma. O Brasil os ama porque ainda não tem motivo para não amar. Por enquanto”, diz Eduardo Mesquita, pesquisador do CEAM. 


 


Sobre a ESPM


A ESPM – The Marketing Powerhouse – é uma escola de negócios com mais de 70 anos de excelência acadêmica na formação de profissionais preparados para transformar o mercado e a sociedade. É referência no ensino superior nas áreas de Comunicação, Marketing, Consumo, Administração, Economia Criativa, Tecnologia e Inovação. Oferece nove cursos de graduação – bacharelado: Administração, Ciência de Dados e Negócios, Ciências Sociais e do Consumo, Cinema e Audiovisual, Comunicação e Publicidade, Design, Direito, Jornalismo e Relações Internacionais, e quatro cursos de graduação - tecnólogos: Gestão Comercial, Gestão de Qualidade, Gestão de Recursos Humanos e Logística. Além disso, oferece pós-graduação lato e stricto sensu (mestrados e doutorados), cursos de curta duração em extensão acadêmica e programas de educação executiva voltado para empresas. Com cinco campi – dois em São Paulo, dois no Rio de Janeiro e um em Porto Alegre – e unidades regionais em Curitiba, Goiânia e Salvador, a ESPM reúne cerca de 12.600 alunos e mais de 1.100 colaboradores.

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