Dificuldades motoras afetam crianças com autismo e reforçam a importância da fisioterapia

 Acompanhamento profissional ajuda a criança a desenvolver habilidades motoras, aumentando a autonomia, a interação social e a qualidade de vida

Divulgação/Affect
Trabalho fisioterapêutico visa melhorar o equilíbrio e a postura, o fortalecimento muscular, promovendo uma maior consciência corporal

A fisioterapia tem papel importante no acompanhamento de crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA), especialmente quando há alterações nas habilidades motoras. Muitas dessas crianças apresentam dificuldades relacionadas ao equilíbrio, à coordenação e ao planejamento dos movimentos, fatores que podem impactar diretamente sua participação nas atividades do dia a dia e nas interações sociais.


Estudos indicam que grande parte das crianças com TEA podem apresentar hipotonia, condição na qual seus músculos são mais fracos ou menos firmes do que o normal. Essa alteração interfere na sustentação da postura, no controle corporal e na execução de movimentos, podendo dificultar ações simples como correr, pular, subir escadas ou participar de brincadeiras. A hipotonia também pode gerar maior esforço para manter o corpo estável, levando a cansaço e dificuldade de concentração em atividades como permanecer sentado por períodos prolongados.


A fisioterapeuta Rafaela Campos, diretora multiprofissional da Affect Centro Clínico e Educacional e pioneira na atuação com fisioterapia voltada ao TEA em Goiânia, afirma que a fisioterapia representa um aporte essencial para o desenvolvimento global da criança. “O objetivo da fisioterapia voltada para o TEA é fortalecer a musculatura, melhorar o controle postural e estimular o equilíbrio para que a criança desenvolva suas habilidades motoras fundamentais. Com esses estímulos, ela ganhará mais autonomia para participar de atividades escolares, recreativas e sociais”, explica. 


Rafaela ressalta que alguns sinais podem indicar a presença de dificuldades motoras, como a tendência de sentar com o tronco inclinado, dificuldades para correr, pular ou esbarrar frequentemente em objetos ou pessoas. “É muito importante que os pais observem esses comportamentos e também se a criança caminha na ponta dos pés, apresentando muita agitação ou alguma dificuldade em acompanhar outras crianças durante as brincadeiras. Essas manifestações podem estar relacionadas a alterações na coordenação, no equilíbrio ou na consciência corporal”, acrescenta.


Segundo a fisioterapeuta, as habilidades motoras são fundamentais para a interação social durante a infância e exigem coordenação e controle do corpo. “Quando a criança apresenta dificuldades nesses movimentos, pode acabar evitando determinadas atividades, sentindo frustração ao tentar acompanhar os colegas e acabar preferindo brincar sozinha. Assim, as limitações motoras podem influenciar diretamente na socialização e na participação em experiências coletivas”, alerta.


Rafaela destaca que a fisioterapia especializada em TEA atua justamente no desenvolvimento dessas capacidades por meio de estímulos da coordenação motora que é usada pela criança para atividades como correr, pular e subir escadas. “É um trabalho que visa melhorar o equilíbrio e a postura, o fortalecimento muscular, promovendo uma maior consciência corporal, contribuindo para uma maior percepção do espaço em volta e como o corpo se integra neste espaço para que a criança alcance uma maior independência nas atividades diárias”, diz.


A fisioterapeuta lembra que uma situação comum para crianças que tem dificuldade em manter a postura é manter a concentração em sala de aula. “Essa criança tende a se levantar mais vezes, justamente por que permanecer sentada exige dela um maior esforço muscular para manter a postura, o que provoca cansaço e reduz a capacidade de atenção, gerando prejuízos diretos no aprendizado”, sublinha.


A fonoaudióloga Juliana Menezes, diretora técnica da Affect, enfatiza que crianças com hipotonia também podem apresentar dificuldades na verbalização, já que a fala depende do controle adequado de diversos grupos musculares. “Recomendamos sempre um acompanhamento multidisciplinar, incluindo fisioterapia e fonoaudiologia, como forma de contribuir para o desenvolvimento global da criança com TEA, ampliando sua autonomia, sua participação nas atividades diárias e suas oportunidades de interação social”, completa.



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