Ensino integral deve dobrar até 2036: o Brasil está preparado?

 Expansão da jornada escolar ganha protagonismo nas metas nacionais e reacende debate sobre qualidade, financiamento e preparação para o futuro do trabalho

A ampliação do ensino integral deve marcar a próxima década da educação brasileira. Prevista como uma das principais metas do novo Plano Nacional de Educação (PNE), atualmente em tramitação no Congresso, a expansão da jornada escolar até 2036 coloca o tema no centro das políticas públicas e levanta uma questão essencial: o país está preparado para crescer com qualidade?

 

A proposta vai além do aumento do tempo na escola. O modelo de educação integral busca transformar o ambiente educacional em um espaço de desenvolvimento amplo, que combine aprendizagem acadêmica, competências socioemocionais, cultura, esporte e construção de projeto de vida. Experiências já implementadas indicam impactos positivos no engajamento dos estudantes, na redução da evasão e no fortalecimento do vínculo com a comunidade.

 

Por outro lado, a ampliação em larga escala traz desafios estruturais relevantes. A necessidade de investimentos contínuos em infraestrutura, formação docente, equipes pedagógicas e sustentabilidade financeira será determinante para garantir que a expansão se traduza em ganhos reais de aprendizagem.

 

Para Lissandro Falkowiski, gerente de Educação do CEBRAC, o avanço do ensino integral exige planejamento consistente e visão de longo prazo. “O ensino integral amplia oportunidades e repertórios, mas seu sucesso depende de uma estrutura capaz de sustentar a proposta e de um projeto pedagógico alinhado às necessidades dos estudantes”, afirma.

 

Segundo ele, a jornada ampliada abre espaço para uma formação mais conectada às transformações sociais e econômicas. “Quando bem estruturado, o tempo adicional permite desenvolver habilidades como pensamento crítico, colaboração e autonomia, competências essenciais para a vida e cada vez mais valorizadas no mundo do trabalho”, explica.

 

Nesse cenário, iniciativas de educação complementar ganham relevância ao ampliar as possibilidades formativas dos jovens. O CEBRAC atua nesse campo ao oferecer cursos voltados ao desenvolvimento de competências técnicas, digitais e comportamentais, contribuindo para que estudantes fortaleçam seus projetos de vida e ampliem perspectivas de inserção profissional.

 

Além do impacto na aprendizagem, o ensino integral é apontado como ferramenta de redução de desigualdades, ao garantir acesso ampliado a experiências educacionais e culturais. Quando implementado com qualidade, o modelo tende a reduzir lacunas e promover trajetórias mais equitativas.

 

Com metas em discussão e expectativa de crescimento consistente até 2036, o avanço do ensino integral reforça a necessidade de coordenação entre políticas públicas, financiamento adequado e integração com iniciativas educacionais complementares. Se bem executado, o modelo pode representar um dos movimentos mais estruturantes da educação brasileira nas próximas décadas.



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