Ações da Copasa sobem mais de 130 por cento em um ano e reposicionam a estatal no radar do mercado

 Redução do risco político e avanço concreto da privatização mudam o valuation da companhia e atraem investidores de longo prazo


As ações da Companhia de Saneamento de Minas Gerais (CSMG3) acumularam valorização superior a 130% nos últimos 12 meses, segundo dados de mercado, em um dos movimentos mais expressivos recentes da Bolsa brasileira. A alta ocorre em um ambiente de juros ainda elevados, incerteza fiscal e maior busca por ativos defensivos, contexto que favoreceu empresas de utilities com fluxo de caixa previsível e histórico de geração de dividendos.


O desempenho do papel não decorre de um evento isolado, mas de uma mudança estrutural na forma como o mercado passou a enxergar a companhia. Historicamente negociada com desconto relevante por conta da ingerência política, tarifas represadas e baixa previsibilidade regulatória, a Copasa passou a ser precificada sob uma lógica mais próxima à de uma utility em transição para padrões privados de governança e eficiência.


Para Beny Fard, engenheiro e fundador da B8 Partners, boutique financeira especializada em M&A, dívida corporativa e investimentos alternativos, o ponto de inflexão foi a reavaliação do risco político. “O mercado passou a precificar um ambiente mais favorável, com menor interferência do controlador e maior foco em retorno econômico, o que reduz o prêmio de risco e impacta diretamente o valor da empresa”, afirma.


Na prática, a queda do risco percebido se traduz em redução do custo de capital próprio, o que eleva o valor presente dos fluxos de caixa futuros. Esse efeito explica parte relevante da reprecificação do papel, deslocando o valuation de uma lógica típica de estatal para a de uma companhia regulada com maior previsibilidade.


Outro fator decisivo foi a evolução da agenda de privatização. O tema deixou de ser tratado apenas como uma discussão política e passou a ser analisado como um processo concreto, com propostas em estudo e possibilidade de realização por meio de oferta secundária de ações. “Quando a privatização deixa de ser apenas uma hipótese distante e passa a ter desenho jurídico e econômico em avaliação, surge um valor de opcionalidade real embutido na ação”, explica.


Essa leitura foi reforçada pela revisão de teses de grandes instituições financeiras internacionais, como J.P. Morgan e Bank of America, que ajustaram recomendações e análises sobre o papel. 


A sinalização ao mercado foi de que o risco político vinha caindo mais rapidamente do que parte dos investidores locais havia antecipado, abrindo espaço para um re-rating dos múltiplos.


Os fundamentos operacionais também sustentaram o movimento. A companhia apresentou geração de caixa resiliente, controle do endividamento e capacidade de investimento, fatores que reforçaram a percepção de que é possível avançar nas metas de universalização do saneamento sem comprometer a criação de valor ao acionista. “Resultados consistentes reduzem o risco de estresse de balanço e dão credibilidade à tese de transição”, avalia.


Em paralelo, o ambiente macroeconômico contribuiu para a valorização. Em um cenário de volatilidade e juros elevados, empresas reguladas, com receitas previsíveis, passaram a competir diretamente com a renda fixa nos portfólios. “Para muitos investidores, especialmente os focados em dividendos e estabilidade, a Copasa passou a ser vista como um ativo defensivo dentro da Bolsa”, diz.


O resultado foi uma mudança clara de percepção. A companhia passou a ser vista como menos arriscada, com menor dependência política e maior potencial de reprecificação. “Quando o risco estrutural cai e a opcionalidade aumenta ao mesmo tempo, o preço da ação responde. Esse foi o principal motor da alta”, resume.


O especialista aponta cinco pontos que ajudam a avaliar ações de estatais em transição


A valorização expressiva das ações da Copasa também oferece aprendizados relevantes para investidores e empresas que acompanham companhias estatais em processos de mudança estrutural. Alguns critérios ajudam a diferenciar oportunidades consistentes de movimentos pontuais.


 


Avaliar se a queda do risco político é estrutural

O primeiro passo é entender se a redução do risco político decorre de mudanças institucionais reais. Medidas como maior previsibilidade regulatória, menor interferência do controlador e sinalização clara de foco em retorno econômico tendem a ter efeito duradouro sobre o valuation.


Analisar a saúde financeira antes da tese de privatização

Fundamentos operacionais sólidos são decisivos para sustentar qualquer processo de transição. Empresas com geração de caixa resiliente, endividamento controlado e capacidade de investimento oferecem menor risco de diluição ao acionista ao longo do caminho.


Observar o estágio concreto da privatização

Existe diferença relevante entre privatização como discurso e como projeto em andamento. Quando há estudos jurídicos, modelos econômicos e alternativas de estrutura já em análise, o mercado passa a incorporar um valor de opcionalidade mais consistente no preço da ação.


Acompanhar o comportamento de investidores institucionais

A entrada ou ampliação de posição por grandes bancos e investidores globais costuma indicar que mudanças estruturais já foram identificadas. Esse tipo de fluxo tende a ser mais estável e menos sensível a ruídos de curto prazo.


Ajustar expectativas ao horizonte de investimento

Movimentos de reprecificação estrutural favorecem estratégias de médio e longo prazo. “Quem entra apenas pela alta recente corre o risco de confundir uma mudança de percepção com euforia pontual”, alerta Beny Fard.

 



Sobre Beny Fard

Beny Fard, CFP®, é engenheiro e cofundador da B8 Partners, boutique financeira especializada em M&A, Dívida & Crédito Corporativo, Investimentos Alternativos e Ativos Digitais. Atua também como CEO da DeFin, fintech que oferece soluções de Investment Banking as a Service (IBaaS) combinando modelagem financeira, infraestrutura blockchain e metodologias de análise de risco aplicadas à Renda Fixa Digital e Real World Assets (RWA).


Consultor de valores mobiliários registrado na CVM, acumula experiência em finanças descentralizadas, investimentos alternativos, gestão e planejamento patrimonial, estruturação de ativos e inovação corporativa. Antes da B8, teve passagem pelo Banco BTG Pactual, atuou como investidor de startups e em projetos de inovação corporativa ligados ao Stanford Research Institute. Sua trajetória inclui participação em iniciativas de investimento e consultoria em empresas de médio e grande porte, com atuação em estratégias de crescimento, governança e mercado de capitais.


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Sobre a DeFin

A DeFin nasceu como a gêmea digital (digital twin) da B8 Partners, e se tornou uma fintech (spin-off), servindo como uma plataforma de inteligência e estruturação digital, e tem como time de sócios Beny Fard, Christian Gazzetta, André Carvalho, Juliano Nicocelli e Vinicius Valler. Focada em Renda Fixa Digital e Real World Assets (RWA), a unidade atua como um Investment Banking as a Service (IBaaS), combinando tecnologia proprietária e rigor analítico para auditar, estruturar e liquidar ativos digitais com governança institucional. 


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