Câncer de mama antes dos 30: por que diagnósticos em mulheres jovens exigem outro olhar da oncologia

 Caso da influenciadora Bruna Furlan, aos 24 anos, expõe o avanço da doença em idades cada vez mais precoces e os desafios do rastreamento, tratamento e prognóstico fora da faixa etária tradicional.

Foto: Reprodução/Instagram @/itsbrunafurlan

O relato da influenciadora Bruna Furlan, neta de Carlos Alberto de Nóbrega, diagnosticada com câncer de mama aos 24 anos, trouxe novamente à tona um alerta que vem ganhando força na literatura médica: embora ainda seja considerado raro, o câncer de mama em mulheres jovens tem aumentado de forma consistente e impõe desafios específicos no diagnóstico, no tratamento e no acompanhamento a longo prazo.

Casos como o de Bruna fogem do perfil epidemiológico mais frequente da doença, historicamente associada a mulheres acima dos 40 ou 50 anos. Ainda assim, especialistas reforçam que a idade, isoladamente, não protege contra o câncer e, quando o diagnóstico ocorre precocemente, a abordagem clínica precisa ser mais cuidadosa e individualizada.

Segundo a oncologista Marcela Bonalumi, da Oncoclínicas, a idade média das pacientes com câncer de mama no Brasil é mais baixa do que a observada em outros países. “Em coortes da população brasileira, a mediana é de 53 anos, abaixo do que vemos em outras regiões do mundo. Isso, inclusive, é uma das justificativas para recomendações do ‘screening’ de exames de prevenção, como a mamografia, serem realizados a partir dos 40 anos, porque o Brasil, diferente de outros países, tem o maior número de pacientes jovens com câncer de mama, que vem crescendo ano a ano.”

Ela reforça ainda que ter um diagnóstico aos 24 anos não é comum, mas já não pode ser tratado como exceção absoluta. “Sempre que temos uma paciente muito jovem, abaixo dos 30-40 anos, devemos pensar em causas genéticas, hereditárias. Ou seja, a paciente herdou, de alguém da família, algum defeito genético que faz com que ela tenha maior suscetibilidade de desenvolver um câncer de mama.”, explica Bonalumi.

Estudos internacionais reforçam esse movimento. Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) e da American Cancer Society (ACS) indicam que, nos últimos 30 anos, os casos de câncer em adultos com menos de 50 anos cresceram quase 80% globalmente. No câncer de mama, a elevação é ainda mais evidente entre mulheres jovens.

Guilherme Novita, líder nacional de mastologia da Oncoclínicas, destaca que o aumento é estatisticamente relevante, embora o número absoluto ainda seja pequeno. “Em mulheres com menos de 35 anos esse número praticamente dobrou, mas continua sendo muito pequeno. Tínhamos 1,7 casos a cada 100 mil mulheres e temos agora 3,5 casos a cada 100 mil mulheres. É muito raro ainda, mas houve, sim, um aumento - que pode ter ocorrido, talvez, por estarmos diagnosticando mais”.

O que significa um carcinoma mamário invasivo do tipo não especial

No caso divulgado pela influenciadora, o tumor foi descrito como carcinoma mamário invasivo do tipo não especial, a forma mais comum da doença.“Cerca de 99% dos diagnósticos são carcinomas, já 85% dos casos de câncer de mama são carcinomas invasivos do tipo não especial, que consideramos o tipo ‘básico’ da doença”, detalha Novita.

A oncologista da Oncoclínicas complementa que essa classificação é definida na análise patológica. “A definição é dada pelo patologista. No momento da biópsia, ele analisa a parte do tumor que foi retirada e, por meio de características que ele avalia via microscópico, consegue definir se é um carcinoma de mama invasivo não especial”.

Idade não muda o tratamento, mas influencia o prognóstico

Do ponto de vista técnico, a idade não determina sozinha o tratamento, que depende do subtipo molecular e do estadiamento da doença. “No geral, o tratamento envolve sempre cirurgia e, em casos selecionados, quimioterapia, terapias-alvo e radioterapia.”, explica Bonalumi.

Ainda assim, pacientes muito jovens exigem atenção especial. “O câncer de mama nessa faixa etária possui, geralmente, uma agressividade um pouco maior. Contudo, isso não quer dizer que ele não tenha tratamento”, afirma o mastologista.

Rastreamento e atenção aos sinais

O diagnóstico de câncer de mama em mulheres jovens também expõe uma lacuna importante nas estratégias tradicionais de rastreamento da doença. Construídas a partir de dados populacionais, as recomendações atuais priorizam faixas etárias de maior incidência, o que pode dificultar a detecção precoce em pacientes abaixo dos 40 anos, justamente onde os exames de rotina não são indicados de forma sistemática. Nesse cenário, a atenção aos fatores de risco individuais, ao histórico familiar e aos sinais clínicos torna-se decisiva para antecipar a investigação. A mamografia, no entanto, segue como o principal exame de rastreamento a partir dos 40 anos.

“O exame de rastreamento para o câncer de mama é mamografia e nenhum outro a substituí. Ela deve ser realizada anualmente para todos os pacientes acima de 40 anos. Abaixo dessa idade, os exames para mama devem ser solicitados de acordo com a história particular da paciente”, conclui Marcela Bonalumi.

Embora ainda raro, o câncer de mama em mulheres jovens é uma realidade crescente. Casos como o de Bruna Furlan ajudam a ampliar a discussão pública, reforçando que informação, atenção aos sinais do corpo e acesso a avaliação especializada continuam sendo ferramentas centrais para diagnóstico e tratamento adequados, independentemente da idade.


Sobre a Oncoclínicas&Co  

A Oncoclínicas&Co, um dos principais grupos dedicados ao tratamento do câncer no Brasil, oferece um modelo hiperespecializado e inovador voltado para toda a jornada oncológica do paciente. Presente em mais de 140 unidades em 47 cidades brasileiras, a companhia reúne um corpo clínico formado por mais de 1.700 médicos especializados na linha de cuidado do paciente oncológico. Com a missão de democratizar o acesso à oncologia de excelência, realizou cerca de 670 mil tratamentos nos últimos 12 meses. Com foco em pesquisa, tecnologia e inovação, a Oncoclínicas segue padrões internacionais de alta qualidade, integrando clínicas ambulatoriais a cancer centers de alta complexidade, potencializando o tratamento com medicina de precisão e genômica. É parceira exclusiva no Brasil do Dana-Farber Cancer Institute, afiliado à Harvard Medical School, e mantém iniciativas globais como a Boston Lighthouse Innovation (EUA) e a participação na MedSir (Espanha). Integra ainda o índice IDIVERSA da B3, reforçando seu compromisso com a diversidade. Com o objetivo de ampliar sua missão global de vencer o câncer, a Oncoclínicas chegou à Arábia Saudita por meio de uma joint venture com o Grupo Al Faisaliah, levando sua expertise oncológica para um novo continente. Saiba mais em: www.oncoclinicas.com.

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