Idealizada pela Inaperê, a atividade convida o público a percorrer o centro da cidade sob uma perspectiva afro-indígena, transformando o espaço urbano em sala de aula viva para a educação antirracista
No dia 13 de dezembro, pela manhã, a Inaperê promove a última edição do ano das “Trilhas das Memórias Negras”. Os sócios e educadores, Léo Bento e Andréa Ladeira, percorrem o centro de São Paulo contando a história da cidade e do País a partir da perspectiva de ícones negros e indígenas como Luiz Gama, Dandara dos Palmares, Zumbi, Tebas, Luísa Mahin, entre outros. Parte do que for arrecadado com as inscrições será revertida em doações para a biblioteca da Favela da Paz, no bairro do Limão, na capital paulista.

A próxima edição das Trilhas acontece das 9h às 12h30, com ponto de encontro na escadaria da Catedral da Sé e encerramento no Largo do Arouche. As inscrições estão abertas pelo Sympla. Em caso de chuva, a caminhada é mantida normalmente, com distribuição de capas aos participantes.
Menores de idade acompanhados dos pais não pagam. A programação é recomendável para crianças a partir dos 10 anos de idade por conta da extensão da caminhada. O projeto pode ser contratado por escolas e empresas e personalizado a partir de demandas específicas (a ser coordenado pontualmente).
A história das Trilhas
Foi a partir de uma inquietação que os professores Leonardo Bento, Andréa Ladeira e outros parceiros criaram esse projeto que prevê uma caminhada pelo centro de São Paulo.
A atividade pedagógica se inicia na escadaria da Sé e percorre pontos como a escultura em homenagem ao Tebas, a Igreja Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos, o busto de Luiz Gama, a estátua da Mãe Preta e do Zumbi dos Palmares, entre outras paradas.
A iniciativa acontece uma vez por mês, em uma manhã de sábado. Parte dos valores arrecadados são direcionados a projetos sociais com propósitos alinhados.
Mais do que uma caminhada, as “Trilhas das Memórias Negras” são uma vivência pedagógica que desafia os participantes a revisitar a história oficial do Brasil sob uma outra ótica: a das populações negras e indígenas, cujas vidas foram precarizadas por séculos. “Não é turismo, nem passeio. É formação. Nosso objetivo é que cada pessoa saia da Trilha mais consciente, mais crítica e com ferramentas concretas para agir contra o racismo estrutural em seu cotidiano”, explica Leonardo Bento, historiador e sócio-fundador da Inaperê.
A proposta não é apenas sensibilizar, mas provocar reflexão e ação. Durante o percurso, os educadores propõem um exercício de letramento racial e histórico: o participante é convidado a “ler” a cidade, reconhecendo como o espaço urbano também expressa as marcas do racismo estrutural. Cada parada - seja diante de uma escultura, de uma igreja ou de um monumento - revela tanto os silenciamentos quanto as resistências que moldaram a formação social do país. “É um processo de desaprendizado e reconstrução. As pessoas se emocionam, questionam e voltam para casa com um novo olhar sobre o cotidiano”, destaca Andréa Ladeira, historiadora e cofundadora da consultoria.
As Trilhas também funcionam como uma potente ferramenta de formação docente. Ao integrar prática e teoria, a iniciativa complementa o currículo escolar e apoia o cumprimento das Leis 10.639/03 e 11.645/08, que tornam obrigatórios o ensino da história e da cultura afro-brasileira e indígena nas escolas. Com isso, professores, estudantes e o público em geral tornam-se agentes de transformação, capazes de identificar e intervir em situações de desigualdade racial dentro e fora das instituições de ensino.
Serviço – Trilhas das Memórias Negras
Local: Centro de São Paulo (Catedral da Sé ao Largo do Arouche)
Próxima edição: 13 de dezembro (sábado)
Horário: das 9h às 12h30
Investimento: R$ 110 (caminhada) | R$ 165 (caminhada + almoço)
Público: a partir de 10 anos (menores acompanhados não pagam a caminhada)
Inscrições: Sympla – Trilhas das Memórias Negras
Sobre a Inaperê
A Inaperê é uma consultoria especializada em DE&I e que oferece uma série de ações que visam a ampliação da diversidade e garantia de equidade no ambiente escolar e empresarial. Fundada pelos educadores Leonardo Bento e Andréa Ladeira, desenvolve ações de letramento racial e histórico em escolas, empresas e instituições públicas, aliando rigor acadêmico, prática pedagógica e vivência territorial. Entre seus projetos, destacam-se as consultorias em equidade racial para empresas e escolas, a Biblioteca comunitária da Paz, as Trilhas das Memórias Negras e o grupo de estudos Entrelinhas Afro-Indígenas, que acontecem mensalmente na cidade de São Paulo.