Com menor percepção de risco e distante da memória da epidemia, a juventude exige novas estratégias de comunicação e cuidado em saúde sexual
O HIV não desapareceu, apenas mudou de lugar na conversa pública. No Brasil e no mundo, campanhas de conscientização como o Dezembro Vermelho reforçam a urgência de dialogar com a geração Z, formada por pessoas nascidas aproximadamente entre meados dos anos 1990 e o início dos anos 2010.
“O Ministério da Saúde e organizações como o UNAIDS destacam que jovens dessa faixa etária apresentam menor percepção de risco, em parte devido à ausência da memória social da epidemia dos anos 1980. Em muitos contextos, o conhecimento dessa geração sobre o tema é incompleto. Mantêm relacionamentos de risco, mas em um cenário social em que, para eles, o HIV é visto como controlável e distante da memória da crise vivida há cerca de 40 anos”, explica a infectologista e gerente médica do Brasil Apoio, Soraya Sgambatti.
O diagnóstico continua sendo uma etapa essencial para conter o avanço do contágio na população. Em 2025, o laboratório que integra a AFIP realizou cerca de 300 mil exames para detecção do HIV. O diagnóstico continua sendo uma etapa essencial para conter o avanço do contágio na população. Segundo dados do Boletim Epidemiológico de HIV e Aids 2024, do Ministério da Saúde, a prevalência estimada da infecção entre adultos de 15 a 49 anos no Brasil é de 0,6%, com tendência estável. No entanto, observa-se um fenômeno preocupante: o aumento dos diagnósticos tardios, intensificado durante e após a pandemia. Esse atraso reduz a eficácia do início imediato do tratamento e amplia a transmissão silenciosa.
Nova realidade
Para a geração Z, o Dezembro Vermelho pode representar uma oportunidade de desenvolver estratégias de comunicação e campanhas de conscientização voltadas a uma juventude digital, plural e pouco receptiva a formatos tradicionais. Linguagens mais próximas, campanhas digitais, uso responsável de influenciadores, conteúdos audiovisuais e ações que acolham podem contribuir para ressignificar o cuidado em saúde sexual.
Embora tenha havido queda nas novas infecções entre jovens de 15 a 24 anos entre 2000 e 2019, esse grupo continua fortemente impactado e representa uma parcela significativa das novas infecções. Segundo a Unicef, cerca de 370 mil novas infecções foram registradas nessa faixa etária em 2024.
Um estudo publicado em 2023 no periódico Viruses, intitulado “Geração Z e HIV: estratégias para otimizar o cuidado da próxima geração vivendo com HIV”, aponta desafios enfrentados por adolescentes que vivem com o vírus. Entre eles estão dificuldades de engajamento e manutenção do cuidado, problemas na transição para a atenção adulta e um cenário agravado pela pandemia de COVID-19, com redução da testagem diagnóstica e interrupção de tratamentos.
O estudo também indica que a rotina fragmentada entre escola, trabalho, esportes, férias e uma vida social mais ativa pode impactar o comparecimento a consultas em horários pré-determinados e a adesão ao uso de antirretrovirais. “Para esse perfil de paciente, é fundamental que o atendimento se baseie em ambientes não julgadores e em estratégias mais ativas para aumentar o engajamento”, afirma a especialista do Brasil Apoio.
A descoberta da cura
O cenário global do HIV permanece desafiador. Apesar dos avanços na prevenção e no tratamento, o vírus ainda exige atenção constante. Em 2024, estimou-se que 40,8 milhões de pessoas viviam com HIV em todo o mundo, com 1,3 milhão de novas infecções registradas no período, de acordo com o Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/Aids (UNAIDS).
A cura definitiva ainda não é uma realidade. Como explica a infectologista do Brasil Apoio, Soraya Sgambatti, os casos de cura registrados até o momento envolvem intervenções extremas e individuais, como transplantes de medula óssea, procedimentos de alto risco e inviáveis em larga escala.
“Pesquisas recentes com imunoterapias combinadas apontam para a possibilidade de uma cura funcional, permitindo que parte dos participantes mantenha o HIV controlado por meses após a suspensão da medicação. Ainda assim, não há perspectivas de cura definitiva neste momento”, conclui a médica.
Sobre a AFIP
A AFIP é um ecossistema que integra ciência, tecnologia e prestação de serviços de saúde. Filantrópica e referência em medicina diagnóstica, tem uma atuação abrangente, com unidades de negócio em pesquisa, ensino e serviços. Atende parceiros públicos e privados nas diversas regiões do país e se destaca pelas soluções de excelência, pelo impacto social e pelas pesquisas científicas de reconhecimento internacional. São quase 50 anos de história inspirados pela ciência e dedicados à saúde. Para informações adicionais, acesse o site www.afip.com.br.