Gelato Romeu e Julieta da Gelateria São Paulo traduz tendência da "newstalgia" ao repaginar clássico brasileiro com ricota de búfala e goiabada artesanal
Em um cenário em que o alimento deixa de ser apenas nutrição e passa a funcionar como ferramenta de regulação emocional, conforto psíquico e construção de identidade, o mercado gastronômico vive um movimento claro: clássicos afetivos estão sendo repaginados com técnica, origem e narrativa. Conceitos como comfort food e newstalgia — a ressignificação de receitas tradicionais com códigos contemporâneos — já orientam cardápios, lançamentos de produto e experiências em food service no Brasil e no mundo, conforme apontam relatórios recentes de tendências em alimentos e bebidas, neurociência do consumo e comportamento das gerações mais jovens.
Inserida nesse contexto, a Gelateria São Paulo apresenta o gelato de Romeu e Julieta, uma releitura técnica de um dos pares mais emblemáticos da doçaria brasileira: queijo e goiabada. O sabor combina uma base de ricota de búfala fresca, fornecida por produtor do Vale do Paraíba (SP), com goiabada artesanal em pedaços, feita sob encomenda, respeitando a memória gustativa do clássico ao mesmo tempo em que eleva textura, cremosidade e perfil aromático.
A gênese do sabor é, antes de tudo, uma história de memória afetiva. “Quando criança, muitas vezes não havia sobremesa em casa. Minha mãe abria a geladeira, pegava uma fatia de queijo e completava com um pedaço de goiabada. Romeu e Julieta sempre foi uma memória afetiva para mim. Quando entrei no universo do gelato, quis transformar meus sabores de vida em criação”, conta a empresária Marjory Ruggiero, fundadora da Gelateria São Paulo.
Ao migrar para o universo do gelato, a proposta de Marjory foi justamente traduzir esses ‘sabores de casa’ para uma linguagem técnica.
De comfort food à “newstalgia”: o clássico sob nova lente
Estudos recentes sobre comfort food e nostalgia alimentar mostram que, em contextos de policrise — pós-pandemia, ansiedade digital, instabilidade econômica —, o consumidor busca na comida uma forma de refúgio sensorial. Ao mesmo tempo, há uma fadiga da repetição: comer sempre o mesmo prato já não basta. Surge então um terreno fértil para aquilo que pesquisas em tendências de alimentos já apelidaram de newstalgia: o novo apresentado sob a forma do familiar.
Na prática, isso significa que o consumidor tende a rejeitar alterações radicais em receitas com forte carga afetiva, mas responde muito bem a evoluções graduais, em que a estrutura do clássico é preservada; a memória de sabor permanece reconhecível e a inovação aparece em ingredientes premium, formatos, texturas ou histórias de origem.
É exatamente nesse ponto de interseção que o gelato Romeu e Julieta da Gelateria São Paulo se posiciona: ele não “reinventa” o clássico a ponto de descaracterizá-lo, mas o reestrutura com rigor técnico e cuidado na escolha da matéria-prima.
A escolha da ricota de búfala: técnica, textura e estabilidade de gelato
Do ponto de vista de desenvolvimento de produto, a primeira decisão crucial foi o queijo. Em vez de utilizar queijos frescos mais convencionais — como minas padrão —, optou-se pela ricota de búfala fresca, fornecida por uma queijaria da região do Vale do Paraíba.
Essa escolha atende a exigencias técnicas centrais à produção de gelato de alta qualidade: teor de gordura equilibrado e estrutura proteica que favorece uma textura cremosa e densa.
Do ponto de vista sensorial, a ricota de búfala tem sabor lácteo limpo, levemente adocicado e manteigoso, o que permite que a goiabada assuma protagonismo sem gerar conflito de salinidade ou acidez.
Goiabada artesanal em pedaços: textura, contraste e autenticidade
O segundo pilar da formulação é a goiabada artesanal, produzida sob encomenda por um parente da família, em São Paulo, com cozimento lento, pedaços inteiros de goiaba, e um perfil de doçura ajustado para dialogar com a base láctea.
Na prática, isso significa que o consumidor encontra no gelato fios e blocos de goiabada ao longo da massa, preservando o contraste de cremoso x denso, branco x rubi, lácteo x frutado — elementos que, segundo a literatura sobre Romeu e Julieta, sustentam a longevidade desse clássico na confeitaria brasileira.
A goiabada, aqui, não é um “flavor” abstrato ou um aroma artificial, mas ingrediente estrutural, que contribui tanto para a experiência sensorial quanto para a narrativa de origem e de pequeno produtor.
Sobre a Gelateria São Paulo
Fundada em 2014 por Marjory Ruggiero, a Gelateria São Paulo é especializada em gelato artesanal italiano, produzido com ingredientes nobres, técnicas tradicionais e um forte foco em inclusão alimentar. Com três lojas e uma rede crescente de parceiros, a marca se destaca pela qualidade, originalidade e compromisso em oferecer uma experiência completa e acessível a todos os seus clientes.

