Combinar juventude e experiência tem se mostrado uma estratégia essencial para o futuro das empresas
O Brasil está envelhecendo. E isso já se reflete dentro das empresas. Segundo o último Censo do IBGE, o país possui, hoje, mais de 30 milhões de pessoas com 60 anos ou mais. Em 2010, esse grupo era de pouco mais de 20 milhões. O crescimento expressivo da população idosa, somado à escassez de mão de obra qualificada em diversos setores, vem transformando o perfil do mercado de trabalho brasileiro.
“O envelhecimento ativo no Brasil já é realidade e as empresas que entendem isso ganham vantagem competitiva. Profissionais com 60 anos ou mais trazem experiência, serenidade e repertório, além de estabilidade emocional, comprometimento e visão estratégica, atuando como mentores das novas gerações. Em tempos voláteis, quem já atravessou vários ciclos de mercado agrega equilíbrio, solidez e sabedoria às decisões corporativa”, pontua David Braga, presidente da Associação Brasileira de Recursos Humanos (ABRH) e da Prime Talent Executive Search.
Para lidar com esse cenário, organizações de diferentes setores têm apostado em equipes multigeracionais, que unem a experiência dos profissionais mais maduros à visão tecnológica dos mais jovens. “Estamos vivendo um momento em que várias gerações compartilham o mesmo espaço de trabalho, cada uma com suas características, personalidades e formas de atuar”, analisa Maurício Sousa, diretor Administrativo-Financeiro da Orguel. “O segredo está em fazer o match entre todas as gerações, aproveitando o potencial e a qualificação de cada profissional, independentemente da idade”, complementa.
Para Maurício, profissionais experientes e novatos se complementam. Os mais jovens trazem energia e curiosidade, enquanto os mais velhos agregam disciplina e visão estratégica. “Quando combinamos a energia dos jovens com o conhecimento dos mais experientes, os resultados aparecem. É o equilíbrio entre sabedoria e novas ideias que move a inovação dentro das empresas”, resume.
O diretor reforça ainda que, na Orguel, a diversidade etária é vista como um diferencial competitivo. “A convivência entre diferentes gerações amplia o olhar da empresa, estimula a troca de conhecimento e fortalece a cultura de aprendizado contínuo”, explica. Segundo ele, a empresa não impõe restrições de idade em seus processos seletivos. “Aqui, avaliamos competência, não idade. Recebemos currículos de diferentes perfis, e todos são considerados igualmente”, conclui.
Brilho no olhar e longevidade
Cláudia Simone Zólio, de 61 anos, atua na área de Qualidade da Orguel e integra uma equipe composta majoritariamente por jovens. Ela afirma nunca ter sentido discriminação por idade. “Meu coordenador é super jovem, e nossa convivência é excelente, tanto com ele quanto com o time”, conta. Com mais de uma década de empresa, Cláudia mantém o mesmo entusiasmo do início da carreira. “Tenho um espírito jovem e muita energia. Gosto de chegar e ‘sacolejar’ o pessoal”, brinca. Para ela, experiência e vitalidade podem e devem caminhar juntas: “o importante é não perder o brilho no olhar”.
Outro exemplo é José Magno Pacheco, de 72 anos, soldador, com 48 anos de casa. Ele viu de perto a transformação tecnológica da profissão. “Antes era tudo manual, hoje trabalhamos com processos automatizados e robotizados. A empresa sempre nos treinou e incentivou a aprender. Hoje, opero qualquer máquina aqui”, conta com orgulho.
Para ele, a idade nunca foi um obstáculo, nem para aprender novas tecnologias, nem para ensinar aos mais novos. “Sempre compartilhei o que aprendi. Digo aos mais novos: ‘vocês estão começando agora, plantem para colher mais à frente’”, aconselha.
José Magno construiu sua vida dentro da Orguel e, depois de quase cinco décadas, somente agora pensa em parar de trabalhar. “Tenho mais tempo de empresa do que de casado”, brinca. “Gosto muito do que faço e da equipe. Agora quero me dedicar um pouco ao meu sítio, mas sei que vai ser difícil me despedir de vez”, conta emocionado.
Atualmente, a Orguel possui 54 colaboradores com 60 anos ou mais, que atuam em diferentes áreas da empresa - da operação, como é o caso de José Magno, até funções administrativas e estratégicas.