Sensação de vazio e frustração nas conquistas podem ser consequências de algo cultivado ao longo dos meses; entenda

À medida que o ano chega ao fim, é comum que muitas pessoas experimentem uma sensação de cansaço profundo, acompanhada da ideia de que não realizaram o suficiente. Entre balanços de metas e comparações nas redes sociais, cresce o sentimento de frustração, como se algo essencial tivesse ficado pelo caminho. Para o neuropsicólogo e especialista em competências socioemocionais Eduardo Shinyashiki, autor do livro O Caminho da Originalidade (Editora Gente), esse desconforto não é apenas esgotamento: é fuga de si mesmo, um afastamento da própria verdade que compromete o desempenho, o equilíbrio e o bem-estar.
“Vivemos em um tempo em que é mais fácil seguir padrões do que escutar a própria voz”, afirma Eduardo. “E, quando fazemos isso, passamos o ano tentando atender expectativas externas — de sucesso, de performance, de aprovação — e nos esquecemos de viver de acordo com quem realmente somos.” O autor chama esse processo de perda de originalidade e explica que ele se manifesta tanto na vida pessoal quanto na profissional, quando as pessoas deixam de alinhar suas ações aos próprios valores.
Segundo o neuropsicólogo, reencontrar a originalidade é um exercício de autogestão e passa por práticas simples e objetivas. Ele propõe, por exemplo, momentos diários de pausa para observar o que se sente e pensa antes de reagir, o que ajuda a reduzir a impulsividade e a reconectar com o que realmente importa. No trabalho, o autor sugere revisar o propósito por trás das tarefas: “Quando você entende o porquê do que faz, transforma obrigação em contribuição”, destaca. No campo pessoal, defende atitudes como assumir compromissos coerentes com seus valores, aprender a dizer “não” e celebrar pequenas conquistas como forma de resgatar autoestima e sentido.
Outra prática apresentada no livro é o uso consciente da atenção. O autor explica que estar presente é mais do que estar atento: é estar inteiro. “A mente dispersa esgota, mas a presença alimenta. Quando colocamos atenção plena em algo, ativamos nossa energia criativa e retomamos o prazer de viver.” Essa presença, segundo ele, é o ponto de partida para decisões mais claras e relações mais verdadeiras, tanto no trabalho quanto nas interações familiares e amizades.
Ao falar de originalidade no contexto profissional, o autor reforça que a autenticidade é também uma competência estratégica. “Profissionais originais são mais criativos, confiáveis e colaborativos, porque atuam com clareza e propósito. A originalidade é o que diferencia os líderes que inspiram dos que apenas gerenciam. Ela nasce da coerência entre o que se pensa, o que se sente e o que se faz”, pontua.
Para Eduardo Shinyashiki, o fim do ano é um convite à reflexão e prática: o que, de fato, faz sentido continuar levando adiante? Ao invés de definir metas automáticas para o próximo ciclo, ele propõe uma pausa consciente: reconhecer o que funcionou, o que precisa mudar e o que se perdeu de vista ao longo do caminho. “O verdadeiro recomeço acontece quando deixamos de fugir do que somos, paramos de nos comparar e vivemos uma vida real para ser celebrada primeiramente por nós mesmos. Assim, passamos a agir em coerência com o que acreditamos e a tendência é sermos mais felizes e realizados”, conclui.
Sobre Eduardo Shinyashiki
Neuropsicólogo especialista no desenvolvimento de competências socioemocionais. Com décadas de experiência e formações nacionais e internacionais, é palestrante, professor de pós-graduação da PUC-RS, mentor e escritor de cinco best-sellers, entre eles, A Vida é um Milagre e O Poder do Carisma, publicados pela Editora Gente. Sua voz é um convite à coragem de ser quem se é de verdade e um farol para aqueles que buscam uma vida plena e autêntica. instagram.com/