Como a Black Friday virou uma operação de guerra no varejo

 *Simone Bervig, Diretora de Marketing da MakeOne, explica por que 2025 deve ser o ano mais competitivo da história

A Black Friday deixou de ser um simples festival de descontos para se transformar em uma das operações mais complexas e estratégicas do varejo global. No Brasil, a data ganhou proporções gigantescas, movimentando bilhões de reais e rivalizando com o Natal como o principal motor do e-commerce. Em 2024, segundo levantamento da Neotrust, o evento movimentou R$ 7,2 bilhões, com mais de 15 milhões de pedidos online realizados no período — e a expectativa é que 2025 supere esses números.

Mais do que uma ação promocional, a Black Friday tornou-se um verdadeiro teste de resiliência e maturidade digital. As empresas precisam garantir que suas plataformas aguentem picos de acesso sem falhas, oferecer entregas rápidas e seguras e manter operações logísticas robustas. Pequenos erros em qualquer uma dessas etapas podem comprometer todo o resultado de meses de planejamento.

Essa transformação acompanha a evolução do consumidor, que hoje busca mais do que o menor preço. Ele valoriza experiências completas, com conveniência, rapidez, atendimento eficiente e, acima de tudo, segurança nas transações. A Black Friday moderna é um reflexo direto de um público mais informado e exigente, que compara, monitora e se prepara com antecedência para comprar de forma inteligente.

A preparação das empresas começa meses antes, com investimentos pesados em tecnologia, automação e inteligência de dados. Ferramentas de análise preditiva permitem antecipar demandas, personalizar ofertas e otimizar estoques, evitando práticas enganosas e garantindo previsibilidade operacional. Uma pesquisa da NielsenIQ mostra que 70% dos consumidores brasileiros se organizam previamente para o evento, o que reforça a importância de uma estratégia precisa e integrada.

Importância da tecnologia

A tecnologia, aliás, deixou de ser apenas suporte e passou a ocupar papel de protagonista. Segundo a ClearSale, as tentativas de fraude digital durante a Black Friday crescem mais de 40%, o que exige sistemas de segurança cada vez mais sofisticados. O investimento em monitoramento e autenticação é tão estratégico quanto o próprio preço promocional — e um diferencial competitivo para quem busca conquistar a confiança do consumidor.

Essa profissionalização transformou a data em um verdadeiro esforço coletivo dentro das companhias. Marketing, vendas, supply chain, atendimento e meios de pagamento precisam atuar de forma sincronizada para sustentar o desempenho. Não à toa, o Brasil é hoje o país que mais abraçou a Black Friday fora dos Estados Unidos, segundo a Ebit|Nielsen, consolidando o evento como um marco do varejo nacional.

Em síntese, a Black Friday é muito mais do que um dia de promoções — é um ensaio geral para o futuro do varejo digital. As empresas que encaram o desafio com planejamento e inovação saem do período não apenas com bons resultados, mas com operações mais maduras, integradas e preparadas para competir em um mercado cada vez mais dinâmico, tecnológico e imprevisível.

MakeOne
Simone Bervig, Diretora de Marketing do Grupo MakeOne


*Executiva com experiência global, atuando em mercados na América Latina e Estados Unidos, Simone Bervig possui mais de 20 anos de experiência em marketing, branding e tecnologia, e coleciona passagens por multinacionais de tecnologia como SAP, Citrix e SAS. É colunista da MIT Tech Review, membro da Angel Investor Club e mentora na AngelUs Network. Atualmente é Diretora de Marketing do Grupo MakeOne.


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