Condição inflamatória crônica causa coceira intensa, dor e alterações anatômicas; diagnóstico precoce é fundamental para evitar complicações
O líquen escleroso vulvar (LEV) é uma doença dermatológica inflamatória crônica, que afeta a pele da vulva e região perianal, provocando sintomas, como coceira intensa, dor, ressecamento e até alterações anatômicas. Embora seja mais comum em mulheres na pós-menopausa, pode surgir em qualquer idade e, muitas vezes, passa despercebida, o que atrasa o diagnóstico e o ínicio do tratamento adequado.
De acordo com a ginecologista Dra. Marcia Fuzaro, doutora em tocoginecologia e chefe do setor de Patologia do Trato Genital Inferior e Colposcopia da Faculdade de Medicina do ABC, o líquen escleroso é uma doença ainda pouco conhecida, mas com impacto significativo na qualidade de vida feminina.
“Muitas pacientes convivem com coceira e desconforto por meses ou anos, acreditando que se trata de uma irritação simples ou infecção recorrente. O problema é que, sem tratamento, o líquen pode causar cicatrizes, fusão dos pequenos lábios e até dificuldade para manter relações sexuais”, explica a médica.
Entre os principais sinais e sintomas estão manchas esbranquiçadas, afinamento da pele, sensibilidade local, dor e sangramentos ocasionais. Em estágios mais avançados, o líquen escleroso pode levar a alterações estruturais da vulva e aumentar o risco de câncer de vulva, embora isso ocorra em uma parcela menor de pacientes.
“A doença não é contagiosa e nem resultado de má higiene. Trata-se de uma condição inflamatória, muitas vezes associada a fatores autoimunes e hormonais. Por isso, o acompanhamento médico é essencial”, reforça a especialista.
O diagnóstico é clínico, podendo ser confirmado por biópsia em casos duvidosos. O tratamento costuma incluir o uso de corticosteroides tópicos de alta potência para controlar a inflamação e aliviar os sintomas, além de medidas de cuidado com a pele, como evitar roupas apertadas, produtos irritantes, como desodorante íntimo, perfume, entre outros, e manter a hidratação local.
“Quando tratada precocemente, a paciente tem excelente resposta e pode levar uma vida normal. O mais importante é romper o tabu e buscar ajuda ao primeiro sinal de desconforto íntimo”, orienta a Dra. Marcia.
A médica destaca ainda a importância da avaliação multidisciplinar, envolvendo ginecologistas, dermatologistas e, em casos mais complexos, mastologistas e cirurgiões oncológicos. “Nosso objetivo é oferecer um olhar integral sobre a saúde da mulher. Tratar o líquen escleroso é também cuidar da autoestima, da sexualidade e do bem-estar feminino”, conclui.
Clínica Terra Cardial
A Clínica Terra Cardial é liderada pela Dra. Márcia Fuzaro e pelo Dr. Caetano da Silva Cardial, especialistas em saúde feminina. A Dra. Márcia, graduada em Medicina pela Faculdade de Medicina do ABC e doutora em tocoginecologia, é professora associada e chefe do setor de Patologia do Trato Genital Inferior e Colposcopia, além de ser presidente da ABPTGIC. O Dr. Caetano, também graduado pela mesma instituição, é Mestre em Ginecologia, cirurgião oncológico e mastologista, membro da Sociedade Brasileira de Mastologia e da Sociedade Brasileira de Cirurgia Oncológica.
A equipe conta ainda com a dermatologista Débora Cardial, graduada em Medicina pela Faculdade de Medicina do ABC, com residência em Clínica Médica e em Dermatologia, com título de especialista pela Sociedade Brasileira de Dermatologia. É membro da Sociedade Europeia de Dermatologia e Venereologia e da Sociedade Brasileira de Laser.