Como tratar os sintomas da menopausa em mulheres com câncer de mama

 Terapias hormonais não são indicadas para pacientes em acompanhamento oncológico

Imagem Ilustrativa - Outubro Rosa
Banco de imagens Pixabay

Cuidar da saúde íntima durante a menopausa é um desafio extra para mulheres em tratamento de câncer de mama. Quimioterapia e medicamentos que bloqueiam o estrogênio podem antecipar essa condição, causando sintomas intensos como ressecamento, ardor e dor durante o ato sexual.

Esses sinais estão associados à Síndrome Geniturinária da Menopausa (SGM), que provoca secura, inflamação e afinamento do revestimento da vagina e do trato urinário inferior. Para mulheres em tratamento oncológico, o problema se agrava já que terapias hormonais são contraindicadas.

“Durante muito tempo, cuidar da saúde íntima de mulheres que tiveram ou têm câncer de mama era um desafio. Agora, felizmente, vivemos um novo momento: a medicina evoluiu e oferece caminhos para que essas pacientes voltem a se sentir bem, confortáveis e confiantes com o próprio corpo”, explica Fernanda Seguro de Carvalho, ginecologista e obstetra do Brasil Private Check-up, núcleo que integra a AFIP.

Avanço promissor

Um desses caminhos, que já é realidade em alguns consultórios, é o tratamento com laser vaginal. A técnica estimula a regeneração da mucosa deste órgão, combate a atrofia e a flacidez e aumenta a produção de colágeno. O resultado é uma região mais firme, com melhor vascularização e alívio dos sintomas desconfortáveis da SGM.

“O procedimento é relativamente simples, envolvendo a inserção de um aparelho semelhante ao usado em exames de ultrassom transvaginal, com emissão de pulsos de laser. Por enquanto, esse tratamento está disponível apenas na rede particular”, completa a Dra. Fernanda.

De acordo com a Sociedade Americana de Menopausa, a terapia com dispositivos a laser pode ser uma opção valiosa, especialmente para mulheres de alto risco, como aquelas com histórico pessoal ou familiar de câncer de mama ou ovário. 

A Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP) também corrobora os efeitos positivos do laser de CO₂. Em um estudo recente, os tratamentos resultaram em melhora significativa dos sintomas da Síndrome Geniturinária da Menopausa em mulheres com câncer de mama em terapia endócrina. A pesquisa conclui que o laser tem potencial para se tornar uma alternativa, ou um tratamento complementar, à terapia hormonal tópica, especialmente para pacientes que têm contraindicação ao estrogênio ou buscam alternativas não hormonais.

Opção mais acessível

Os exercícios físicos são hoje considerados um dos pilares não hormonais mais eficazes para aliviar e prevenir os sintomas da menopausa, mesmo para mulheres que estão tratando o câncer de mama. Eles atuam tanto no aspecto físico quanto no emocional, e seus benefícios são amplamente comprovados por pesquisas médicas. 

Um desses estudos, da Unesp de Marília (SP), demonstrou os benefícios do exercício físico para a saúde de mulheres no período pós-menopausa. O levantamento, realizado em parceria com instituições de Marília e da Oxford Brookes University (Inglaterra), teve início em 2023 e seus resultados foram publicados em agosto deste ano na revista científica Maturitas, vinculada à Sociedade Europeia de Menopausa e Andropausa (EMAS).

A pesquisa investigou os efeitos de diferentes exercícios físicos na saúde de mulheres pós-menopausa. Os benefícios foram observados após 12 semanas de prática, três vezes por semana, com acompanhamento profissional.

"O cuidado com a saúde íntima na menopausa não precisa ser complicado. Com tratamentos não hormonais e a prática de exercícios é possível reduzir os sintomas, fortalecer o corpo e viver essa fase com mais conforto e segurança", conclui a especialista Fernanda Seguro de Carvalho.

 

Sobre a AFIP

A AFIP é um ecossistema que integra ciência, tecnologia e prestação de serviços de saúde. Referência em medicina diagnóstica, tem uma atuação abrangente, com unidades de negócio em pesquisa, ensino e prestação de serviços. Atende parceiros públicos e privados nas diversas regiões do país e destaca-se pela realização de pesquisas científicas de reconhecimento internacional. São quase 50 anos de história inspirados pela ciência e dedicados à saúde.

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