Associação denuncia avanço descontrolado das pilhas de rejeito e cobra mineração responsável na nova fronteira mineral do Nordeste
A Associação dos Familiares de Vítimas e Atingidos pelo Rompimento da Barragem Mina Córrego do Feijão (AVABRUM) estará presente na Expo & Congresso Brasileiro de Mineração (EXPOSIBRAM) 2025, que acontece entre os dias 27 e 30 de outubro, no Centro de Convenções de Salvador (BA). Considerada a maior feira de mineração da América Latina, o evento reunirá as principais mineradoras do mundo, fornecedores, autoridades e investidores, e contará também com a presença da
A AVABRUM participa com o objetivo de alertar sobre os cuidados com as barragens e o crescimento descontrolado e perigoso das pilhas de rejeitos, que vêm substituindo as barragens como forma de depósito de resíduos após as tragédias de Mariana e Brumadinho. Além disso, a Bahia tem 79 barragens, sendo 07 em estado de emergência máxima e sete em nível médio de risco de acordo com a ANM. (Agência Nacional de Mineração).
De acordo com informações da Associação dos Municípios Mineradores de Minas Gerais (Amig), há pilhas que equivalem a prédios de mais de 30 andares, um risco silencioso que potencializa a poluição ambiental e a disseminação de pó de minério nas comunidades vizinhas. O cenário é agravado pela falta de atualização do regulamento da Agência Nacional de Mineração (ANM) que trata dessas estruturas. A norma é de 2001, considerada ultrapassada e insuficiente diante das novas dinâmicas da mineração brasileira. Em Minas, um deslizamento em 2024 levou à desocupação de 162 imóveis, afetando 250 pessoas.
Na EXPOSIBRAM, a AVABRUM ocupará um estande próprio, que promete chamar atenção pela força visual e simbólica. O espaço trará imagens de impacto, presença de familiares das vítimas e uma narrativa que convida à reflexão. Brumadinho representa a maior tragédia no ambiente de trabalho no Brasil e o zelo pela segurança é luta permanente da Associação que tem uma campanha onde alerta que “amanhã pode ser tarde”, A ideia central é reforçar a importância da “não repetição das tragédias”, um dos princípios que orienta toda a atuação da Associação desde sua fundação, em 2019.
Responsabilização
Além da defesa pela responsabilização da tragédia-crime de Brumadinho, a AVABRUM também engrossa o coro em prol da mineração verdadeiramente responsável, com rigor na fiscalização, sobretudo na Bahia, estado que desponta como nova fronteira desse segmento e onde se concentram reservas de cobre, lítio, níquel, vanádio e terras raras, conforme divulgado pela própria organização da feira. “A expansão da mineração para o Nordeste precisa ser acompanhada de políticas de controle, transparência e participação social. Caso contrário, veremos novas tragédias acontecendo em diferentes territórios do país”, alerta a presidente da AVABRUM, Nayara Porto.
Enquanto o evento promove debates sobre “mineração sustentável” e realiza painéis sobre transição energética, ESG e inovação, a presença da AVABRUM será um contraponto ético e humano em meio a um ambiente predominantemente voltado a negócios e investimentos. “Não somos inimigos da expansão minerária. Somos a lembrança viva de que o desenvolvimento sem responsabilidade custa vidas, destrói rios, apaga comunidades inteiras e fere a dignidade humana”, pondera Nayara.
Com previsão de receber 30 mil participantes e contar com o patrocínio de gigantes como Vale, Samarco, Anglo American e BHP, empresas diretamente associadas às maiores tragédias da mineração no Brasil, a EXPOSIBRAM 2025 será, também, um palco simbólico da disputa entre a narrativa do lucro e a narrativa da vida.
Ao levar sua voz à feira, a AVABRUM reafirma seu papel de manter viva a memória das 272 vítimas de Brumadinho e lutar para que a dor que nasceu do rompimento não seja soterrada pelo marketing da mineração verde. Sua presença em Salvador será um gesto de resistência e esperança, um lembrete de que a verdadeira inovação no setor mineral deve começar pelo compromisso com a exploração ética, a segurança dos trabalhadores e a não repetição de tragédias evitáveis, com a devida responsabilização daqueles que negligenciaram a vida.
