Endocrinologista avalia o avanço terapêutico e destaca importância do acompanhamento médico individualizado
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou o uso do medicamento Mounjaro (tirzepatida), da farmacêutica Eli Lilly, para o tratamento da apneia obstrutiva do sono (AOS) em adultos com obesidade. A decisão foi publicada nesta segunda-feira (20) no Diário Oficial da União e representa um marco no manejo clínico de uma condição que atinge milhões de brasileiros e, até então, contava com poucas opções terapêuticas além do uso de aparelhos como o CPAP.
O Mounjaro já era aprovado no país para o tratamento da diabetes tipo 2 e da obesidade. Agora, passa a ser o primeiro medicamento autorizado pela Anvisa para tratar a apneia do sono associada à obesidade, de acordo com informações da fabricante.
Estudos comprovam eficácia
A decisão da Anvisa foi baseada em estudos clínicos que demonstraram a eficácia da tirzepatida na redução dos episódios de apneia. Um artigo publicado em 2024 no “New England Journal of Medicine” mostrou que o uso do medicamento reduziu significativamente o número de interrupções respiratórias durante o sono, melhorando a qualidade de vida dos pacientes com AOS
De acordo com a Eli Lilly, até 50% dos adultos que utilizaram o Mounjaro deixaram de apresentar sintomas associados à apneia. Além disso, os voluntários também apresentaram melhora em fatores relacionados à saúde metabólica e redução expressiva no peso corporal, um dos principais fatores de risco para o distúrbio.
Para a endocrinologista Alessandra Rascovski, diretora clínica da Atma Soma, os resultados reforçam uma tendência importante da medicina contemporânea: tratar a apneia do sono com foco nas causas metabólicas. “A tirzepatida traz uma nova perspectiva de tratamento, porque atua tanto na regulação metabólica quanto na perda de peso, dois fatores diretamente ligados à apneia do sono. É uma abordagem que vai além do controle dos sintomas e ataca uma das causas do problema”, afirma.
Atualmente, o tratamento padrão para apneia do sono é feito com o uso do CPAP, aparelho que mantém as vias aéreas abertas durante o sono. Nos estudos com tirzepatida, parte dos pacientes alcançou melhora suficiente para dispensar o uso do equipamento.
Rascovski explica que a aprovação do Mounjaro pela Anvisa representa um avanço relevante para pacientes que convivem com a apneia e a obesidade. “Durante anos, a apneia foi tratada apenas como um distúrbio respiratório, mas hoje sabemos que ela tem impacto cardiovascular, metabólico e inflamatório. A chegada da tirzepatida amplia as possibilidades terapêuticas, especialmente para pacientes com obesidade e resistência à insulina”, diz a endocrinologista.
Acompanhamento médico é essencial
Embora o novo uso do Mounjaro represente um avanço terapêutico relevante, a endocrinologista reforça a importância de um tratamento orientado e contínuo. “O acompanhamento médico é fundamental para ajustar a dose, monitorar possíveis efeitos colaterais e garantir que o tratamento atenda às necessidades específicas de cada paciente”, destaca Alessandra.
Para ela, o futuro do cuidado com a apneia passa por uma visão mais integrada entre metabolismo, sono e peso corporal. “A medicina caminha para entender o paciente como um todo, e não de forma fragmentada. O sucesso do tratamento depende dessa abordagem individualizada e multidisciplinar”, conclui.
Sobre a Atma Soma
Liderada pela endocrinologista Alessandra Rascovski, a Atma Soma tem foco na prática da medicina de soma, unindo várias especialidades em prol dos pacientes, respeitando a sua individualidade e oferecendo a ele uma vida longa e autônoma.
A clínica conta com um time de médicos e profissionais assistenciais de diversas áreas como endocrinologia, urologia, ginecologia, nutrição, gastroenterologia, geriatria, dermatologia, estética, medicina oriental e ayurveda, com olhar dedicado à prática do cuidado focado no eixo neurocognitivo, metabólico e hormonal.