Mesmo diante das transformações do mercado de trabalho e do avanço de novas formas de qualificação graduação continua sendo uma boa escolha.
Na internet, é comum se deparar com alguns vídeos questionando cada vez mais a importância de se ter uma graduação, usando como justificativa o alto valor dos cursos, a falta de garantia de emprego após a formatura e o currículo acadêmico distante da realidade das necessidades das vagas disponíveis.
Mesmo diante das transformações do mercado de trabalho e do avanço de novas formas de qualificação, os dados indicam que a graduação continua sendo um dos caminhos mais sólidos para quem busca crescimento profissional, melhores oportunidades de emprego e aumento significativo de renda.
Os números são categóricos: quem conclui um curso superior tem chances reais de conquistar salários mais altos, seja no setor público, por meio de concursos, ou na iniciativa privada. Conforme o relatório Education at a Glance 2025, da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), brasileiros com diploma de ensino superior ganham, em média, 148% a mais do que aqueles que possuem apenas o ensino médio. Enquanto a renda média de quem concluiu apenas o ensino médio gira em torno de R$ 1.700, quem possui graduação pode ganhar mais de R$ 5 mil mensais — uma diferença que reafirma o peso do diploma no aumento da renda individual e familiar.
Outro indício é o Indicador Abmes/Simplicity de Empregabilidade (Iase) realizado em 2025 pela Associação Brasileira de Mantenedoras de Ensino Superior (ABMES). A pesquisa acompanhou a empregabilidade de 8.843 egressos e apurou que, até 15 meses após a formatura, 85% dos entrevistados estavam inseridos no mercado de trabalho.
Os dados evidenciam a formação superior como diferencial para a renda dos brasileiros. Segundo o indicador, os estudantes que já trabalhavam tiveram aumento de 81% na renda após a formatura, passando de R$ 2.783 para R$ 5.045 em média, e observaram renda 46,5% superior à média nacional.
Exigência crescente do mercado e maior empregabilidade
Além do impacto financeiro, o diploma funciona como tíquete para garantir um emprego. A mesma pesquisa da ABMES constatou que após a conclusão do curso de graduação, 65,8% dos estudantes conseguiram melhorar sua posição no mercado e passaram a atuar na área de formação, e mesmo os que permaneceram fora da área por opção alcançaram remuneração acima da média nacional, confirmando que a graduação é decisiva para a obtenção de maior retorno financeiro.
A formação superior costuma ser também o principal critério de desempate entre candidatos com perfis semelhantes. Há ainda áreas essenciais em que o diploma não é apenas valorizado — é obrigatório. Profissões como Medicina, Direito, Enfermagem e Engenharia só podem ser exercidas legalmente por quem concluiu a formação. “Mesmo em setores dinâmicos como o da Tecnologia, onde a entrada no mercado pode ser mais flexível, ter uma graduação continua sendo um passo fundamental para quem deseja crescer, se destacar e construir uma carreira sólida. A formação superior não apenas abre portas, mas amplia horizontes, fortalece competências e conecta o profissional a novas oportunidades”, afirma Fabiano Battisti Acher, Diretor Regional do Senac Santa Catarina.
Um espaço para desenvolver outras habilidades para a vida
As instituições de ensino também contribuem para o desenvolvimento de competências amplamente valorizadas no mercado contemporâneo, como pensamento crítico, comunicação, colaboração e resolução de problemas — habilidades que têm peso crescente em processos seletivos e avaliações de desempenho.
Mais do que preparar o aluno para atuar em uma profissão, a faculdade também é um período de desenvolvimento pessoal. Os estudantes aprendem a trabalhar em equipe, a desenvolver a autonomia, a organizar rotinas, a falar em público e lidar com desafios reais do cotidiano, competências fundamentais tanto para a vida profissional quanto para a vida pessoal.
A combinação de conhecimento técnico, vivências, desafios e convivência torna a graduação um processo formativo amplo, capaz de transformar trajetórias e ampliar horizontes. “As experiências adquiridas em sala de aula, seja ela presencial ou virtual, são fundamentais para o trabalho. A pessoa que passa pela faculdade, sai mais madura, mais consciente de seu papel no mundo e mais preparada para enfrentar os desafios complexos da sociedade atual. A convivência com colegas, o contato com diferentes perspectivas, os debates orientados, as atividades práticas e a orientação docente criam um ambiente de aprendizagem que não pode ser substituído apenas por cursos rápidos ou estudos isolados”, diz Glauce Pereira, pedagoga que coordena o Setor de Educação Superior do Senac Santa Catarina.
Construção de vínculos pessoais e profissionais
A bagagem que o ambiente acadêmico traz aliada à formação de vínculos e redes de contatos, com colegas e professores podem abrir portas ao longo da carreira, seja por meio de indicações, projetos, parcerias ou oportunidades de trabalho.
Glauce ainda reforça que são essas conexões construídas ao longo da graduação que, muitas vezes, abrem portas logo após a formatura. “Elas ampliam as chances de encontrar boas oportunidades e de ser lembrado e indicado não apenas pela competência técnica, mas pela marca positiva que o aluno formado deixa nas pessoas”.
Empreender também passa pela sala de aula
Um dos pretextos mais citados por aqueles que desacreditam da graduação é que o valor de um curso pode ser investido em um novo negócio, desconsiderando que a qualificação de empreendedores é fator fundamental para o sucesso dos negócios. “Para empreender também é preciso estar qualificado. Seja na gestão administrativa, no planejamento financeiro, na inovação ou em qualquer outro aspecto que envolve criar e sustentar um negócio, a formação superior oferece o embasamento necessário para tomar decisões mais seguras, estratégicas e competitivas.
Por exemplo, uma graduação em Processos Gerenciais, curso focado em gestão de negócios, pode ser uma excelente opção para quem tem ou quer abrir uma empresa. “Nele, os alunos aprendem a realizar a análise de viabilidade financeira da empresa ou de um novo negócio, pensar em estratégias de marketing e no desenvolvimento de pessoas”, explica Glauce.
Além disso, a faculdade se transformou em uma conquista mais acessível para os brasileiros, muito influenciada pela Educação a Distância (EaD). Segundo dados do Censo da Educação Superior do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), o Brasil alcançou a marca de 10 milhões de estudantes no ensino superior em 2024, sendo que 50,7% dessas matrículas são de cursos EaD. “A oferta da modalidade híbrida ou 100% on-line, a mudança no formato dos cursos e no conteúdo programático, que está mais alinhado ao mercado de trabalho, atrai cada vez mais pessoas para o sonho do diploma”, conclui a pedagoga.