Pesquisa analisou quatro atletas após uma hora de MMA e encontrou altos níveis de contaminação
Um estudo encomendado por especialistas de UFC da Stake acendeu um alerta sobre um perigo invisível nas academias de artes marciais mistas: a quantidade de bactérias que se acumulam debaixo das unhas durante o treino. A análise surge em meio ao aumento das discussões sobre lesões oculares no esporte, incluindo episódios recentes de dedo no olho como o caso envolvendo Tom Aspinall.
Os testes laboratoriais usaram as unhas de quatro frequentadores de academia (três homens e uma mulher) após uma hora de treino intenso com grappling, drills de striking e atividade cardiovascular. O resultado impressionou os microbiologistas: algumas amostras estavam até dez vezes mais sujas do que assentos de vaso sanitário. Para os especialistas, a combinação entre contato físico extremo e unhas contaminadas cria a “tempestade perfeita” para lesões oculares graves.
Entre os achados mais alarmantes, as amostras apresentaram níveis tão altos de bactérias que ultrapassaram o limite máximo de detecção do laboratório. Mesmo unhas aparentemente limpas escondiam mais de 15 mil unidades formadoras de colônia, número comparável (ou superior) ao de superfícies sanitárias. Em apenas uma hora de treino, esse microambiente úmido entre a luva e a pele se transforma em um laboratório vivo de germes prontos para serem transferidos para os olhos, equipamentos e pele dos parceiros de treino.
Bactérias em unhas de lutadores podem causar danos oculares
A análise identificou organismos capazes de causar infecções cutâneas, irritações e inflamações. Também foram detectadas bactérias do tipo E. coli, provavelmente coletadas nos tatames e equipamentos compartilhados, além de leveduras e fungos que prosperam no calor das luvas e são verdadeiras “mini placas de Petri” em cada dedo.
Para o microbiologista Reynold Mpofu, da BioLabs, os resultados são motivo de atenção. Segundo ele, “os olhos são órgãos extremamente sensíveis, protegidos apenas por pálpebras finas e um delicado filme lacrimal. Tocar ou esfregar os olhos com as mãos sujas facilita a transferência de bactérias, vírus e alérgenos”.
O especialista destaca que o risco aumenta de forma significativa em incidentes de dedo no olho, tanto acidentais quanto intencionais em modalidades de contato. “É uma combinação perigosa que pode resultar em perda parcial da visão e até perda do globo ocular”, comenta. Ele lembra ainda que a preocupação não se limita ao UFC: em um recente jogo de Rugby entre País de Gales e África do Sul, um atleta foi expulso após golpear o olho de um rival,, reforçando a vulnerabilidade dessa região do corpo.
Embora o estudo não avalie riscos individuais, os dados ajudam a dimensionar um problema recorrente nos treinos: um simples toque no rosto ou no equipamento pode espalhar microrganismos suficientes para causar irritações oculares e infecções de pele. A pesquisa mostra que a aparência não é um indicador confiável de higiene: sob as unhas, bactérias, leveduras e fungos se multiplicam rapidamente, mesmo após treinos curtos.
A metodologia replicou condições reais de academia: quatro participantes treinaram cerca de uma hora sem higienizar as mãos durante o processo. Ao final, swabs foram coletados e cultivados para análise de bactérias, leveduras e bolores, com contagens realizadas em diferentes meios durante até sete dias. Os resultados foram comparados com dados de superfícies comuns, como assentos de vaso sanitário, para contextualizar o nível de contaminação.
O estudo foi conduzido pela BioLabTests e analisado em dezembro de 2025. Dados completos aqui.