Férias escolares: como manter rotina e limites ajuda a reduzir ansiedade e conflitos entre crianças e adolescentes

 Ausência total de rotina nas férias pode aumentar ansiedade e conflitos; psiquiatra orienta famílias a manter limites e organização emocional em dezembro.


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Com o fim do ano letivo e a chegada das férias, crianças e adolescentes entram em um período marcado por mais tempo livre, menos compromissos e mudanças na rotina.

Embora as férias sejam importantes para o descanso, a ausência total de organização pode favorecer o aumento da ansiedade, conflitos familiares e uso excessivo de telas.

Férias não significam total falta de rotina, mas sim uma rotina mais flexível. A previsibilidade do dia a dia continua sendo um fator importante para a saúde emocional de crianças e adolescentes, mesmo fora do período escolar.

“A rotina funciona como um organizador emocional. Quando ela desaparece completamente, muitos jovens se sentem perdidos, irritados ou ansiosos, sem saber como ocupar o tempo”, diz Danielle Admoni, psiquiatra da infância e adolescência, supervisora na residência de Psiquiatria da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp/EPM) e especialista pela ABP (Associação Brasileira de Psiquiatria).

Excesso de tempo livre pode gerar ansiedade

Um dos principais desafios das férias é o excesso de tempo ocioso sem planejamento. Sem referências claras de horários e atividades, crianças e adolescentes tendem a:

  • Dormir e acordar cada vez mais tarde
  • Passar mais tempo em telas
  • Ficar mais irritados e impacientes
  • Entrar em conflitos frequentes com a família

Para evitar esse cenário, a orientação é criar uma organização simples do dia, com horários básicos para acordar, se alimentar, brincar, usar telas e descansar — sem transformar as férias em uma extensão da escola.

Limites continuam sendo necessários

Outro ponto sensível durante o recesso escolar é a manutenção dos limites. Com mais tempo em casa, negociações sobre telas, sono e alimentação se tornam mais frequentes.

Limites claros e combinados previamente reduzem conflitos e ajudam crianças e adolescentes a se sentirem mais seguros. O problema não é flexibilizar regras, e sim perder completamente a referência.

Prevenção de conflitos familiares

Dezembro também costuma ser um mês de convivência intensa, com viagens, visitas e mudanças na dinâmica familiar. Para prevenir conflitos, a recomendação é:

  • Ajustar expectativas sobre o período
  • Evitar agendas excessivamente cheias
  • Garantir momentos de descanso e ócio
  • Dar espaço para emoções difíceis, como frustração e irritação

Atenção à saúde mental nas férias

As férias podem ainda evidenciar sofrimentos emocionais que estavam mascarados pela rotina escolar. Mudanças bruscas de comportamento, isolamento persistente, explosões frequentes de raiva ou apatia merecem atenção.

“Estar atento aos sinais e buscar orientação profissional quando necessário é uma forma de cuidado e prevenção”, diz a psiquiatra.

Equilíbrio é a chave

Férias saudáveis são aquelas que equilibram descanso, liberdade e organização. Manter uma rotina mínima, com limites claros e espaço para o lazer, contribui para um período mais tranquilo, fortalece vínculos familiares e protege a saúde mental de crianças e adolescentes.

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