No Brasil, o número de crianças com cárie sem tratamento adequado é de 41,18%, segundo dados da Pesquisa Nacional de Saúde Bucal SB Brasil 2020/2023. O estudo diz que as crianças em média têm 2,4 dentes com cárie não tratada, arrancados ou restaurados. Apesar desse dado, 53,17% das crianças de 5 anos apresentaram todos os dentes sem experiência de cárie dentária.
Uma pesquisa da Universidade da Pensilvânia de 2021 traz estratégias para evitar a cárie na infância. A presidente da Câmara Técnica de Odontopediatria do Conselho Regional de Odontologia de São Paulo (CROSP), Dra. Patricia Valeria C. Georgevich, explica que esta pesquisa apresenta as principais atitudes para os enfrentamentos da cárie na infância: higiene oral desde cedo, escovação com creme dental fluoretado duas vezes ao dia, iniciando quando surge o primeiro dente. É importante a supervisão dos pais/ cuidadores durante a escovação até os 7/8 anos de idade.
Entre as estratégias estão a aplicação tópica de flúor em consultório e o controle da dieta, reduzindo o consumo de açúcares livres, doces, sucos adoçados e biscoitos. A Dra. Patrícia orienta que é essencial o incentivo de alimentos nutritivos e a ingestão de água potável como bebida principal. A especialista recomenda a avaliação precoce, com consultas regulares ao odontopediatra, para que possíveis alterações sejam identificadas antes mesmo do aparecimento visível das lesões, assim como o monitoramento contínuo do crescimento dentário e de hábitos bucais saudáveis.
Dentro das estratégias, a profissional ressalta a necessidade de uma estratégia preventiva individualizada com base em risco, educação e engajamento familiar. “É importante orientar os pais sobre prevenção e acompanhamento odontológico. Além de promover hábitos saudáveis de forma lúdica e reforçar comportamentos positivos em cada consulta”, diz a Dra. Patrícia.
Mas as ações, segundo a cirurgiã-dentista, devem ir além do consultório. Para ela, é necessário a integração com políticas de saúde pública por meio de programas escolares de educação em saúde bucal, suporte comunitário e acesso facilitado a odontopediatras.
“O estudo da Universidade da Pensilvânia enfatiza que a intervenção precoce e a abordagem multifatorial — envolvendo flúor, dieta, higiene e engajamento familiar — é mais eficaz do que ações isoladas, mostrando que a cárie é prevenível quando as crianças recebem cuidados consistentes desde os primeiros meses de vida” explica a presidente da Câmara Técnica de Odontopediatria.
A Dra. Patrícia esclarece que pesquisas como esta impactam a diminuição da cárie, porque orientam ações preventivas eficazes, fortalecem políticas de saúde pública e educam famílias e profissionais, dessa forma transformam conhecimento científico em práticas que diminuem a propagação da doença na infância.
De acordo com a profissional, as pesquisas identificam fatores de risco, mostram quais hábitos aumentam a chance de cárie, fortalecem estratégias preventivas e comprovam a eficácia do flúor na redução de lesões de cárie. Também trazem educação baseada em evidências, ajudam a quebrar mitos de como “dente de leite não precisa de cuidado”. Ainda fundamentam protocolos de acompanhamento precoce nos sistemas de saúde e contribuem para o direcionamento dos recursos a grupos de maior vulnerabilidade.
Tratamento da cárie
Em análise da cirurgiã-dentista, a aplicação das descobertas de pesquisas, como a da Universidade da Pensilvânia, no tratamento da cárie na infância, não se limitam apenas à restauração dos dentes, mas da maneira como o profissional irá conduzir o cuidado com a criança. Dessa forma, o tratamento também é multifatorial, preventivo, educativo e garante uma saúde bucal longeva.
A cárie na criança traz dor, desconforto, compromete a saúde bucal e o bem-estar geral. Entre os principais sintomas da cárie para a saúde da criança está em contrair infecções, que podem evoluir para abscessos, celulite facial e outras complicações. Quando a cárie não é tratada, pode comprometer a saúde física, nutrição e aprendizado.
“A Odontopediatria tem um papel essencial no enfrentamento da cárie infantil, porque vai além de” restaurar dentes”: ela cuida da saúde bucal integral da criança com foco em prevenção, tratamento minimamente invasivo e educação”, ressalta a Dra. Patricia Georgevich.
Sobre o CROSP
O Conselho Regional de Odontologia de São Paulo (CROSP) é uma autarquia federal dotada de personalidade jurídica e de direito público com a finalidade de fiscalizar e supervisionar a ética profissional em todo o Estado de São Paulo, cabendo-lhe zelar pelo perfeito desempenho ético da Odontologia e pelo prestígio e bom conceito da profissão e dos que a exercem legalmente.
Hoje, o CROSP conta com mais de 175 mil profissionais inscritos. Além dos cirurgiões-dentistas, o CROSP detém competência também para fiscalizar o exercício profissional e a conduta ética dos Técnicos em Prótese Dentária, Técnicos em Saúde Bucal, Auxiliares em Saúde Bucal e Auxiliares em Prótese Dentária.
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